Carro revisado. E o motorista?

Carro revisado. E o motorista?

Estar em boas condições físicas e mentais é fundamental antes de pegar a estrada para a viagem de férias. Durante o trajeto, as pausas e a harmonia com os outros ocupantes de veículo também ajudam

» Marcus Celestino
postado em 01/01/2015 00:00
Belo Horizonte ; Carro na estrada e um roteiro de diversão para as férias. Até chegar ao destino, porém, haja preparo. Não deixar de fazer a revisão do veículo é máxima entre os viajantes das estradas. Mas e os motoristas? Estradas malconservadas, risco de acidente e retenções que podem durar horas levam à estafa física e emocional. Por isso, também é essencial se atentar ao bem-estar de quem vai conduzir a máquina.

Segundo a fisioterapeuta e ergonomista Flavia Reis, é primordial que o motorista, antes de pegar o carro, faça alongamentos que deem ênfase nas áreas que serão mais demandadas, como o pescoço, os ombros e a coluna. ;Fazer esses exercícios antes de partir numa jornada longa faz com que a pessoa fique menos sujeita a sentir dores incômodas e tenha um desempenho melhor ao volante;, comenta.

Ao entrar no veículo, a primeira coisa a fazer é regular o assento conforme a compleição física do condutor. Se feitos de forma adequada, os acertos ajudarão a prevenir dores musculares e problemas na coluna decorrentes da má postura, como lordose ou a hiperlordose. O cansaço muscular pode levar o motorista a desenvolver sérias lesões vertebrais. Por isso, todo cuidado é pouco.

Para se ajustar corretamente, verifique se os seus pés alcançam os pedais de aceleração, frenagem e embreagem sem dificuldade. Nesse movimento, os joelhos devem ser flexionados apenas moderadamente para não causar maiores esforços. Havendo regulagem de altura, tenha certeza de que o assento não fique tão alto para não causar malefícios à circulação e também, novamente, aos joelhos.

Quanto ao volante, é interessante fazer uma ;medida;. O indicado é que os punhos alcancem a haste de direção e que os cotovelos fiquem relativamente dobrados para os braços não serem forçados em demasia. Quanto ao apoio de cabeça, é importante que o encosto esteja bem aprumado com a linha dos olhos. Dessa forma, solavancos mais fortes e curvas sinuosas não afetarão o pescoço.

Compra certa
Quando o indivíduo foge dos padrões, sendo muito alto, baixo ou estando bem acima do peso, é importante checar itens essenciais na compra do carro. ;Esses indivíduos devem verificar a amplitude de deslizamento do assento e o movimento de altura. Observar se ele apresenta conformação adequada ao formato das nádegas e, principalmente, distância e espaço suficientes para os membros inferiores manipularem as regulagens de encosto;, frisa Flavia Reis.

Vale citar que os itens de conforto devem ser analisados de acordo com a individualidade de quem vai conduzir o carro, e novamente ajustados se houver troca de condutores ao longo da viagem. ;Algo que deve ser considerado muito importante, senão o mais, é o momento de pausa, de descanso do motorista;, ressalta a ergonomista.

É recomendável que, a cada duas horas e meia, o condutor encoste o veículo e dê aquela ;esticada;. ;Nessa hora, é até interessante que se façam novamente os alongamentos feitos antes de viajar. Além disso, levantar-se e alternar a postura serve para que os músculos modifiquem as formas de contração a fim de evitar estresse;, complementa.

Força da mente
Especialista em terapia cognitiva comportamental, a psicóloga Elisângela Tobias Oliveira também reforça que os motoristas devem fazer pausas periódicas durante longas viagens. Ela enfatiza alguns detalhes a serem considerados antes de iniciar a jornada a fim de diminuir o estresse. ;Dirigir exige uma atenção muito grande. Por isso, dormir e se alimentar bem antes de guiar por longos trechos é primordial;, afirma. ;Também é muito importante lembrar aos mais sonolentos à noite que evitem guiar durante esse período.;

Apesar de creditar ao tráfego urbano momentos mais tensos e que podem incitar o motorista ao erro, Elisângela crê que a ;tranquilidade; da estrada também possa levar a um acidente por causa de uma autoconfiança exacerbada. Quanto a dirigir sozinho e acompanhado, a psicóloga acredita que, no segundo caso, os níveis de estresse podem ficar mais elevados. ;Quando você tem alguém ao lado, às vezes acaba se preocupando muito com o outro e ficando excessivamente nervoso. Ainda há a situação em que o motorista quer demonstrar total controle diante do veículo para os que dividem o espaço com ele, e isso também é prejudicial;, ressalta.

A fisioterapeuta e ergonomista Flavia Reis lembra que, geralmente, o passageiro não dispõe de regulagens do banco. Por isso, as pausas durante a viagem são muito importantes para eles, que estão à mercê do comportamento do carro. Além disso, ocupantes que têm a mania incômoda de dar ;pitacos; no estilo de condução do motorista devem evitar ao máximo fazê-lo, já que a carga de estresse pode chegar a níveis mais altos do que o usual não somente para o condutor, mas também para todos os outros presentes no veículo. A atitude é extremamente prejudicial ao psicológico e deve ser evitada a todo custo.

O nervosismo no trânsito e nas estradas pode se traduzir em diversos sintomas, como sudorese, taquicardia, tremores, desconforto abdominal, boca seca e enjoo. Eles acabam prejudicando o desempenho do motorista, especialmente em vias com limites de velocidade mais elevados. Por isso, pregam especialistas, é muito válido adotar a frase mens sana in corpore sanum (uma mente sã num corpo são) antes de viajar. Não é só o automóvel que necessita de revisão, o motorista também.

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