Na briga pela preferência

Na briga pela preferência

Totalmente reformulado, o sedã da montadora japonesa agrada com um visual agressivo e conforto extra, mas peca pela falta de harmonia do painel interno com o design exterior. O Veículos testou a versão XEi 2.0 do carro

» Fernando Braga
postado em 01/01/2015 00:00
 (foto: Toyota/Divulgação)
(foto: Toyota/Divulgação)

Estar na pele de qualquer profissional da equipe responsável pela criação de uma nova geração do Toyota Corolla não deve ser tarefa fácil. Desde às pranchetas de design até os laboratórios de teste, tudo é pensado, calculado, projetado para superar os altos níveis de satisfação dos milhares de clientes espalhados ao redor do mundo. Desempenho, visual, conforto, enfim, todos os quesitos que ajudam a definir a avaliação sobre um veículo devem agradar os atuais consumidores e, de quebra, atrair os da concorrência. E quando se fala em sedã, o principal modelo que briga por cada ponto percentual conquistado no segmento também vem do oriente e atende pelo nome de Honda Civic. É aí que o desafio se torna ainda mais interessante.

Isso porque, desde 2006, o desafiante mudou o foco e decidiu pôr nas linhas um ar mais arrojado, agradando, além dos atuais proprietários ; predominantemente aqueles acima dos 40 anos ;, o público jovem. Mesmo com o sucesso do rival, a Toyota demorou a reagir. Muito por conta dos aficionados pela marca que, mesmo com um visual conservador, ainda mantinham o sedã no topo da lista dos mais vendidos do mercado. Porém, para a 11; geração do modelo o fabricante resolveu, enfim, colocar uma pitada de pimenta na nova versão e tentar recuperar, assim, os consumidores perdidos.

Para isso, uma nova plataforma foi desenvolvida. O resultado pode ser percebido nas várias mudanças que vão desde o chassi e chegam até o interior. Do lado de fora, as diferenças para a geração anterior saltam aos olhos. Para começar, a frente foi redesenhada, adotando um estilo mais agressivo. Os faróis, agora longos e angulares, se unem de forma integrada aos para-lamas, num desenho acentuado em forma de V. Já as linhas laterais se conectam às lanternas traseiras, criando uma visual dinâmico e imponente.

Retrô
Um dos pontos negativos, porém, é o painel, que pouco conversa com a modernidade estampada de lado de forma do modelo. Baseado em um aplique horizontal, com linhas retas e sem muita ousadia que lembra, e muito, os utilizados nos carros da década de 1990. O relógio digital, por exemplo, é de gosto duvidoso e pode trazer uma sensação de nostalgia em meio a tanta novidade.

O mesmo padrão ;retrô; pode ser visto nas laterais das portas. Porém, tanto conservadorismo não influenciou na qualidade do material utilizado. Os acabamentos são benfeitos e garantem, pelo menos, um ar de requinte ao veículo. O volante de couro tem comandos do sistema de som e a central multimídia touchscreen conta até com TV digital. Além disso, o modelo vem com câmera de ré e retrovisor fotocromático.

A versão testada pelo Correio, XEi 2.0, agradou, principalmente nas ultrapassagens e nas arrancadas. O motor com 154 cavalos, com torque de 20,3kgfm (quando abastecido com álcool), mostrou a potência e o torque necessários para rodar com segurança, seja na cidade, seja em estradas. Rodando pelo centro de Brasília, ele consumiu a média para o segmento, atingindo algo em torno de 10km/l. Outro ponto positivo é o isolamento acústico. Mesmo em alta rotação, pouco se escuta de ruído externo.

A transmissão automática de sete velocidades é precisa e a troca acontece sem solavancos, trazendo conforto para aqueles que vão dentro do carro. A opção Sport, aliada às borboletas que ficam atrás do volante, garantem uma maior esportividade na direção, possibilitando ;esticar; as marchas e tirar um suspiro a mais do motor. A distância entre-eixos cresceu 10 centímentos, atingindo 2,70 metros. Com isso, quem anda no banco de trás tem espaço de sobra para as pernas.

Apesar de bem equipada, com bancos de couro, faróis de neblina e rodas de liga leve de 16 polegadas, a Toyota errou ao deixar mimos básicos de fora como o acendimento automático de faróis, espelho no quebra-sol e o sensor de chuva no parabrisas. Porém, no balanço final o saldo é para lá de positivo.

As mudanças feitas pela montadora garantiram um novo posicionamento do sedã no segmento. O esforço valeu a pena e o resultado já pode ser sentido nos números de vendas. Após perder a liderança nos últimos anos para o Civic, o Corolla retomou a dianteira entre os sedãs, deixando para trás outros rivais, e mostrando que os desafios enfrentados pelos engenheiros japoneses foram superados com louvor.


Disputa pela dianteira
Até outubro deste ano foram emplacados 49.572 unidades do Toyota Corola (26,36% de participação), de acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Já o rival Honda Civic ocupa a segunda colocação do ranking, com 44.486 (23,65%). O GM Cruze sedã (9,71%), o Nissan Sentra (6,14%) e o Ford Fusion (5,52%) completam a lista dos cinco mais procurados no segmento.


Ficha técnica

Motor

2.0 Dual VVT 16V

Potência
154 cavalos

Torque
20,3kgfm

Transmissão
Automática de 7 velocidades

Porta-malas
470 litros

Itens de série

Tela touchscreen de 6 polegadas, TV digital, câmera de ré, rodas de 16 polegadas, ar-condicionado digital, ABS e EBD.

Preço
R$ 82 mil




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