Paris repudia o terror. Europa amplia controle

Paris repudia o terror. Europa amplia controle

Luciana Marques Especial para o Correio
postado em 12/01/2015 00:00

Paris ; Antes mesmo das 15h (meio-dia, em Brasília), horário de início da marcha, o metrô estava abarrotado de gente. Eu me vi entre aqueles milhares de franceses que lutavam por um espaço. As crianças também se encontravam ali, sorridentes por poderem participar, pela primeira vez, de uma manifestação pela liberdade na França. Os pais já tinham visto a cena antes.

Há dias eu não via um céu tão claro na Cidade da Luz. O sol apareceu em meio ao inverno sombrio. Nem o frio de 8 graus, nem o risco de novos atentados, nada foi motivo para que os franceses vacilassem. Estavam ali, com cartazes e aquele grito seco na garganta. Notei um silêncio que dominou a multidão ; e só era quebrado em meio a palmas e a coros do Hino Nacional. O momento era de relembrar os valores tão caros à Pátria, como a democracia e a liberdade. ;Não temos medo!”, repetia incansavelmente para mim a estudante francesa Marion Mardelle. ;Estou aqui pelo direito à liberdade francesa;, afirmou. Mas os franceses sabiam que o esquema de segurança, com 5,5 mil policiais e militares, era forte. Ouvi a sirene da polícia em todo lugar. De manhã cedo até tarde da noite.

Eu observei que os estudantes da Universidade de Paris-Sorbonne, uma das mais prestigiadas do mundo, decidiram caminhar juntos pela ;liberdade de expressão;. Parecia uma marcha à parte, que chamou a atenção. Li mensagens de várias nacionalidades e religiões, entre muçulmanos e judeus. Estavam escritas em vários idiomas ; inglês, alemão, árabe e italiano. Pedidos de união estavam por toda a parte. Encontrei a brasileira Nina Novelo, que é produtora e mora na França. Não conteve o choro: ;A dor é mundial;, me disse. ;Lágrimas brasileiras para os franceses. Estou de coração partido;, concluiu. Ela levou uma Bandeira do Brasil com a expressão ;Je suis Charlie; no centro.

O agricultor francês Alexander Blucher levou os três filhos para a Marcha Republicana. Todos com um chapéu de lápis na cabeça, feito de papel. ;É uma forma de educá-los, de falar sobre a tolerância;, ele me disse. Lápis, aliás, foi o objeto que mais vi na marcha ; de todas as formas e tamanhos. O rabisco dos cartunistas da Charlie Hebdo não foram esquecidos. A pincelada estava estampada nos rostos. A manifestação em Paris foi bela, irreverente e educada. À la francesa.

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