Maquiagem às avessas

Maquiagem às avessas

postado em 12/01/2015 00:00
O economista Alexandre Schwartsman sugere que o Tesouro evitou, nos últimos meses, vender títulos com vencimentos mais próximos da data de emissão para não encurtar o prazo médio dos papéis, para, assim, mascarar a aparência da situação da dívida. ;Se for isso, é uma bobagem, porque resulta exatamente no aumento das operações compromissadas do BC;, argumenta. Acaba-se trocando, portanto, algo ruim por outra coisa igualmente negativa, em uma atitude semelhante às maquiagens do deficit fiscal realizadas pelo Tesouro nos últimos anos.

Com a ressalva de que não tem informações precisas sobre a decisão do Tesouro, Schwartsman destaca que a elevação de reservas internacionais não pode servir de desculpa para o aumento das compromissadas nos últimos 12 meses, pois o colchão do BC tem se mantido praticamente inalterado: eram
US$ 375,8 bilhões em dezembro de 2013 e passaram para US$ 375,7 bilhões em novembro de 2014. Enquanto isso, as compromissadas passaram do volume financeiro de R$ 507 bilhões (20% dos títulos em poder do mercado) para R$ 857 bilhões (29%).

Estoque
A carteira do BC envolve um montante bem maior de títulos do Tesouro. O crescimento se deve graças ao aumento da participação das operações compromissadas. O elevado estoque de papéis com a autoridade monetária criou uma divergência que atrapalha ainda mais a já arranhada credibilidade do Brasil no exterior. O governo exclui esses títulos do cálculo da dívida bruta. Mas o Fundo Monetário Internacional (FMI) se recusa a ignorá-los. Assim, a diferença entre os dois cálculos já chegou a quase 8,9 pontos percentuais em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Em dezembro de 2013, o número oficial brasileiro era de 59,1% e o do organismo internacional, 68,0%. Em outros momentos, ficou um pouco abaixo disso.

Para Carlos Eduardo de Freitas, presidente do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon), a retomada de confiança por parte do mercado depende de decisões consistentes na política econômica. Ele afirma que o governo precisa demonstrar de fato que terá capacidade de realizar o superavit primário para ao menos 1,2% do PIB. Além disso, deve levar a Selic para 13%. ;Sem isso, o mercado continuará testando o governo;, alerta ele, que foi diretor da Área Externa do BC no governo Sarney e no governo de Fernando Henrique Cardoso dirigiu a área responsável pela privatização de bancos estaduais. (PSP)

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