Solidariedade global

Solidariedade global

O protesto da França se estendeu pelo resto do mundo. Milhares de pessoas foram às ruas de várias cidades para homenagear as vítimas dos atentados. Cristãos, judeus e muçulmanos se uniram contra o extremismo

postado em 12/01/2015 00:00

;Não queremos que matanças sejam realizadas em nome do Islã;
Driss Bouzdoudou, muçulmana de 30 anos que vive há 14 anos na Espanha






O grito em favor da liberdade organizado ontem em Paris ecoou ao redor do globo. Milhares de pessoas tomaram as ruas de cidades nos diferentes continentes para prestar solidariedade à França, repetindo palavras de ordem como ;Eu sou Charlie; e exibindo canetas em homenagem aos mortos nos ataques iniciados com a ofensiva contra a redação da revista satírica Charlie Hebdo.

Em grandes centros urbanos, como Berlim, Londres, Jerusalém, Beirute, Cisjordânia, Buenos Aires, Tóquio, Sydney e Montreal, multidões agitaram bandeiras da França e cantaram A Marselhesa, o hino nacional francês. Os protestos reuniram cristãos, muçulmanos e judeus, numa clara mensagem de que a luta não é contra uma crença, mas contra a intolerância e a violência.

Em Israel, onde os quatro judeus franceses mortos no atentado ao supermercado kosher em Paris serão enterrados, mais de 500 pessoas se reuniram em Jerusalém diante de um telão que dizia, em francês: ;Jerusalém é Charlie;. ;Este é um ataque a todos nós, ao povo judeu, à liberdade de imprensa e de expressão;, disse o prefeito da cidade, Nir Barkat. O rabino-chefe, Shlomo Amar, fez uma oração pelas 17 vítimas dos ataques. Em Ramallah, na Cisjordânia ocupada por Israel, dezenas de palestinos agitaram bandeiras da França e da Palestina e exibiram cartazes com os dizeres ;a Palestina apoia a França contra o terrorismo;. Administrada pelo Hamas, Gaza prestou um tributo às vítimas durante uma vigília com velas no enclave.

Cidades das Américas também prestaram homenagem. Em Montreal, as manifestações reuniram cerca de 25 mil pessoas. O prefeito da cidade francófona, Denis Coderre, e autoridades de Québec, uniram-se ao cônsul-geral, Bruno Clerc, que liderou uma longa procissão de manifestantes, acenando as bandeiras canadense, francesa e quebequense.

Em Buenos Aires, centenas de pessoas se concentraram ao meio-dia (quando em Paris eram 15h e a marcha estava sendo iniciada) em frente à embaixada da França. ;Todos unidos; e ;Eu sou Charlie, eu sou policial, eu sou judeu; eram algumas das mensagens lidas nos cartazes segurandos pelos manifestantes.

Amigos caídos
Na Europa, uma das maiores passeatas foi celebrada em Berlim, onde 18 mil pessoas marcharam usando camisetas com os dizeres ;Checkpoint Charlie Hebdo;, em alusão ao posto de controle Charlie, uma reminiscência da Guerra Fria que dividia a Alemanha.

Em Bruxelas, o chargista belga Philippe Gelluck se juntou a outras 20 mil pessoas, dizendo que marchava ;em homenagem aos amigos caídos;, referindo-se aos cinco cartunistas mortos no atentado. ;Eu sei que a comunidade muçulmana se sente ferida e humilhada por essas charges, mas elas não atacam o Islã, e sim o fundamentalismo;, argumentou. Londres, Madri, Viena e Dublin foram outras das várias cidades europeias onde todos, ontem, tornaram-se Charlie.

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