Brasília também é Charlie

Brasília também é Charlie

Pelo menos 200 pessoas, incluindo membros da comunidade francesa, participam de caminhada silenciosa no Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek. Manifestação destacou a união e a tolerância

REBECA OLIVEIRA
postado em 12/01/2015 00:00
 (foto: Andre Violattii/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Andre Violattii/Esp. CB/D.A Press)



;Nós somos Charlie, somos judeus, somos policiais, somos muçulmanos. Nós somos a França.; A sentença, estampada em cartazes, fez parte de uma homenagem às vítimas do ataque à sede da revista satírica Charlie Hebdo. Cerca de 200 pessoas ; a maior parte delas da comunidade francesa ; reuniram-se, a partir do meio-dia, para uma marcha pacífica pelo Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek. Mesmo sob o forte sol, o grupo caminhou por duas horas, depois de se concentrar em frente à escola Aliança Francesa na Asa Sul. Foi uma marcha silenciosa.

O ato simbólico ocorreu paralelamente à grande manifestação contra o terrorismo que tomou as ruas de Paris. Em Brasília, mais do que expressarem o repúdio à barbárie, os manifestantes indignaram-se ao ver a liberdade de expressão dos conterrâneos ser ultrajada. Apesar disso, eles não se mostraram favoráveis às políticas anti-imigração defendidas pela extrema-direita na Europa, principalmente na França e na Alemanha. ;Viemos dar um grito contra a intolerância, independentemente de onde ela venha;, explicou Thibault Lespagnol, funcionário da embaixada francesa.

Segundo Thibault, os participantes se mobilizaram de maneira espontânea, por meio das redes sociais. ;Cada um tem a sua motivação para estar aqui;, disse. Na caminhada, houve o apoio de motoristas ; mesmo sem entender a movimentação, eles pararam os veículos por mais de 10 minutos em vias movimentadas, como a W5, e a que oferece acesso ao Parque da Cidade pela 910 Sul. O grupo transitou de modo tranquilo e discreto, partindo do Estacionamento 9, e organizou-se sem a ajuda de policiais ou de agentes de segurança.

Internet
A Associação de Pais dos Alunos da Aliança Francesa foi um dos grupos que divulgou o evento em uma página da internet. Por isso, uma grande quantidade de crianças estava presente na caminhada. Muitas andavam em grupos e sob o olhar atento dos pais. O evento não tinha características de uma solenidade oficial, embora contasse com a presença do cônsul da França, Jacques Ajouc, que fez todo o trajeto carregando a bandeira do país ao lado da colega parisiense Laura Saint. Emocionada, a funcionária pública radicada em Brasília há um ano vestiu-se de preto, como forma de protesto pelos assassinatos brutais.

;Estamos aqui para demonstrar que as feridas causadas pela tragédia doem em todos nós. Podemos não estar mais em Paris ou não morar em território francês, mas os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade sempre nos acompanharão, e é por eles que vivemos;, declarou Laura Saint.

Discurso semelhante ao de Sandra Pol de Sousa, que trocou Paris por Brasília seis meses atrás. De origem portuguesa, Sandra participou do ato com o marido, Cedric Pol, e a filha Alix, de apenas 9 meses. ;Vim com toda a família para que aprenda, desde cedo, a importância da união. Não importa de onde você veio, você tem o direito de se expressar. Tentaram calar os nossos valores, mas o efeito foi contrário. Continuaremos lutando em prol das liberdades individuais;, declarou, em tom emocionado. Para Sandra, o ataque injustificado ao semanário francês traz prejuízos irrecuperáveis à sociedade, mas reforça a cultura do país onde cresceu: ;Essa tragédia nos tornou mais fortes;.



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