Relato de um extremista

Relato de um extremista

Em vídeo que circula pela internet, o jihadista Amedy Coulibaly admite ser militante do grupo fundamentalista, jura lealdade a Abu Bakr Al-Baghdadi e revela que atentados da semana passada foram organizados e sincronizados

postado em 12/01/2015 00:00
 (foto: AFP)
(foto: AFP)
;Devemos ser modestos e muito respeitosos com os serviços de segurança franceses, que são muito válidos;
Danny Yatom, ex-chefe da Mossad, serviço secreto de Israel, ao comentar possíveis falhas de segurança da França






Em um vídeo divulgado ontem pela internet, Amedy Coulibaly, 32 anos, um dos três homens responsáveis pelos ataques na capital francesa, afirma ser membro do Estado Islâmico (EI) e anuncia ter ;agido contra a polícia; para ;causar mais impacto;. Fontes oficiais confirmaram a autenticidade da gravação e a identidade de Amedy, morto na sexta-feira, depois de invadir um mercado kosher e assassinar quatro judeus. Durante o vídeo de 7 minutos e 16 segundos, ele reivindica a autoria da execução de uma policial de 27 anos e do atentado contra um homem em Montrouge ; a vítima ficou gravemente ferida.

Amedy olha fixamente para a câmera e aparece vestido com o keffiyeh, traje muçulmano, sentado encostado em uma parede branca. Do lado esquerdo dele, um fuzil AK-47. Do outro, uma bandeira do Estado Islâmico. ;Eu me reporto ao califa dos muçulmanos Abu Bakr Al-Baghdadi, o califa Ibrahim;, diz ele, referindo-se ao líder da organização terrorista que combate os governos do Iraque e da Síria. ;Eu jurei fidelidade ao califa desde a declaração do califado;, acrescenta. As imagens ainda mostram o extremista participando de treinamentos físicos e usando colete à prova de balas.

A relação com os irmãos Chérif e Said Kouachi, responsáveis pela invasão da revista satírica Charlie Hebdo, onde assassinaram 12 pessoas na quarta-feira, também foi confirmada no vídeo. ;Chegamos de forma sincronizada para sair ao mesmo tempo;, declara, na gravação. Os três terroristas foram mortos por policiais em duas operações paralelas, em Paris e em Dammartin-en-Goele, no nordeste da capital. ;O que nós fizemos é completamente legítimo, dado o que eles fizeram. Se vocês atacam o califado, nós vamos atacar vocês.; Em entrevista por telefone durante o sequestro ao mercado, na sexta-feira, Amedy já havia confirmado fazer parte do mesmo grupo dos irmaõs Kouachi. ;Ficou combinado que eles cuidariam da Charlie Hebdo e eu lidaria com a polícia;, disse ele à BFMTV.

Esconderijo
No começo da noite de ontem, policiais informaram ter identificado o esconderijo de Amedy, enquanto agências de inteligência buscavam encontrar Hayat Boumeddiene, de 26 anos, companheira do terrorista e suspeita de participar na organização dos atentados. As últimas informações sobre a jovem indicavam que ela teria viajado para a Turquia em 2 de janeiro, passando antes por Madri. Fontes do governo turco informaram crer que ela tenha cruzado a fronteira com a Síria um dia após o atentado contra a revista.

Além dos crimes confessados em vídeo, a Justiça francesa suspeita que Amedy esteja por trás da agressão contra um homem de 32 anos que praticava corrida no sul de Paris. Segundo um comunicado da procuradoria da capital, existe um vínculo entre as balas encontradas em Fontenay-aux-Roses, onde o corredor foi ferido, e a arma usada no ataque ao mercado ; uma pistola russa Tokarev. ;Na cena, foram encontradas cinco cápsulas de bala; que correspondem à pistola, disseram investigadores. O corredor foi atingido no braço e nas costas e continua em condição crítica.




Sepultamento em Israel
Os quatro judeus que morreram na sexta-feira na tomada de reféns praticada pelo jihadista Amedy Coulibaly, em um supermercado kosher, em Paris, serão sepultados na manhã de terça-feira em Israel, anunciou um encarregado comunitário à agência France-Presse. ;As quatro famílias decidiram enterrar os mortos em Israel. Os funerais serão celebrados na terça-feira, às 10h, no cemitério do Monte das Oliveiras;, em Jerusalém, afirmou a fonte. A retirada dos corpos das quatro vítimas ; Yohan Cohen, Yohav Hattab, Philippe Braham e François-Michel Saada ; será realizada hoje no Instituto Médico Legal de Paris antes do transporte em avião para Israel, acrescentou a fonte.




"Eu me reporto ao califa dos muçulmanos Abu Bakr Al-Baghdadi, o califa Ibrahim;



;Chegamos de forma sincronizada para sair ao mesmo tempo;
Amedy Coulibaly, terrorista morto após a invasão à mercearia judaica em Paris

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