Apaixonado pela aviação

Apaixonado pela aviação

Parentes e amigos das vítimas do acidente fatal na cidade goiana contam que o piloto João Henrique Baeta era experiente e fazia questão de ir com frequência no Aeroclube de Brasília, onde mantinha um hangar chamado Divertilândia

» CAROLINA SAMORANO » EDUARDO MILITÃO
postado em 12/01/2015 00:00
 (foto: Facebook/Reprodução - 31/10/14)
(foto: Facebook/Reprodução - 31/10/14)



Era no Aeroclube de Brasília, em Luziânia, que João Henrique Baeta, o piloto que comandava o EMB-710C que caiu no sábado na cidade goiana, encontrava a diversão aos fins de semana ; ele trabalhava na empresa do tio, o empreendedor imobiliário Paulo Baeta, de quem era braço direito. Como se tratava de uma figura assídua e querida pelos frequentadores do local, o acidente fatal com o avião que comandava ; a namorada dele, Maysa Santos, também morreu e dois amigos ficaram feridos (leia Os ocupantes do monomotor) ; deixou as famílias das vítimas consternadas e chocou aviadores e colegas.

O diretor de Comunicação do Aeroclube de Brasília, Umberto Goularte, conhecia João desde os tempos em que frequentava os hangares acompanhado do pai, o médico Eduardo Henrique Baeta. ;O pai dele é um dos pioneiros do aeroclube. Foi um dos fundadores, e o João herdou a paixão pela aviação do pai. João pilotava desde menino, era bem experiente. É triste perder um amigo. Um acidente como esse sempre é muito chocante para nós porque o grupo é muito unido, todos se conhecem;, lamenta.

No momento da queda, os quatro ocupantes do monomotor faziam o que os aviadores chamam de Voo de mosca, um passeio de lazer, no qual o piloto faz manobras básicas como decolar, pousar e arremeter. Segundo Umberto, a família de João tem, com outros sócios, um hangar no aeroclube, batizado de Divertilândia, no qual mantém outros aviões. A pilotagem de planadores, por exemplo, era outra paixão dele. ;Era uma pessoa superocupada, trabalhava muito, mas, sempre que podia, ia ao aeroclube. Era onde ele desopilava das obrigações do dia a dia;, continua Umberto.

O piloto Reinaldo Magalhães, 55 anos, é amigo do pai de João e o conhece desde que nasceu. ;Nós fizemos o curso de planador juntos;, relembra. Segundo ele, no sábado, João Henrique buscou a namorada em Anápolis, onde ela morava, a bordo de um outro avião, e a trouxe para Luziânia. Durante o dia, o casal e os amigos Rodrigo Castanheira e Márcio Barrocas Delmonte se divertiram no aeroclube. ;Eles passaram de quadriciclo aqui várias vezes;, contou Reinaldo. No mesmo dia, a vítima havia comandado pelo menos duas outras aeronaves, ambas monomotores: um Citabria e um PA-18.

Apaixonados


Reinaldo Magalhães estava na porta do Instituto Médico Legal (IML) de Luziânia, ontem pela manhã, quando o pai de João Henrique, Eduardo, e a mulher, Maria Rosa Teixeira, chegaram para tentar retirar o corpo. A família de Maysa também esteve no local em função do mesmo procedimento.

Segundo Maria Rosa, o piloto e Maysa namoravam há um ano e meio. Ela acredita que eles tinham tudo para se casar. ;Era um namoro promissor. Estavam bem apaixonados;, contou a madrasta de João Henrique. Ele havia saído de casa seis meses depois de começar o relacionamento. Comprou um apartamento na 215 Sul. Não tinha filhos. O pai de Maysa, identificado apenas como Moisés, não quis falar com a reportagem. ;A dor é muito grande;, justificou.


Os ocupantes do monomotor



Maysa Santos
Tinha 36 anos

; Namorava João Henrique Baeta havia um ano e meio
; Era nutricionista
; Morreu no local do acidente


João Henrique Baeta
Tinha 40 anos

; Trabalhava como administrador de empresas
; Era sobrinho de Paulo Baeta, empresário do ramo imobiliário de Brasília
; Morreu no local do acidente



Rodrigo Castanheira Carvalho
Tem 37 anos

; Trabalha como piloto em uma companhia aérea
; Está internado em estado grave no Hospital de Base do DF



Márcio Barrocas Delmonte
Tem 36 anos
; É piloto de aviação executiva
; Passou por cirurgia para a retirada do baço no Hospital Regional de Santa Maria

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