Franquias 100% candangas

Franquias 100% candangas

Empresas nascidas no Distrito Federal se expandem pelo país. Das 32 franqueadoras existentes na Região Centro-Oeste, 17 são de Brasília. Com serviços que variam de alimentação a beleza, chegam a valer até R$ 3 milhões

FLÁVIA MAIA
postado em 12/01/2015 00:00
 (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)


Brasília tornou-se uma cidade produtora de marcas e franquias. Se, antes, a capital era polo de atração de redes nacionais e internacionais, nos últimos sete anos, o mercado local tem estimulado a criação de serviços e produtos próprios, alguns com expansão além das fronteiras do Distrito Federal. Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o DF possui mais de 53% das franquias nascidas no território do Centro-Oeste ; são 17 das 32 existentes. No Brasil, a unidade ocupa a 8; posição no ranking. As marcas brasilienses oferecem desde o serviço de alimentação e reparos, passando por cursos profissionalizantes e até lojas de beleza, e são vendidas por valores que variam de R$ 31,5 mil a R$ 3,12 milhões. O faturamento gerado com elas no DF é de R$ 9,2 bilhões anuais ; nesse montante, estão todas as franquias, não somente as locais.

A comercial da 315 Sul abriga a ;matriz; da Esmalteria Brasil ; hoje uma rede, com sete lojas no DF e no Ceará, além de 44 pedidos de empresários interessados em se tornarem franqueados. A proprietária da marca é Andréa Geiza, 41 anos. Ela conta que deixou o ramo imobiliário para apostar em beleza. ;Fiz uma pesquisa de mercado e vi que esse segmento crescia, em média, 10% no Brasil. É promissor;, avalia a empreendera, que escolheu a dedo o endereço do estabelecimento. ;Pensei que as clientes do estúdio de pilates (vizinho da loja) seriam as primeiras a frequentarem a esmalteria e foi o que aconteceu;, relata.

Andréa revela que, na primeira semana de funcionamento da loja, faturou apenas R$ 90. ;Nos dois primeiros meses, o estabelecimento ficou bem vazio. Então, eu descobri que existia um boato que fazer unha em esmalteria era caro. Logo, imprimi 60 mil panfletos com os preços e distribui em vários pontos;, comenta. Com o negócio consolidado, em 2014, Andréa contratou uma consultoria para formatar a esmalteria como franquia. ;Senti que era hora de expandir o negócio, mas eu não teria como cuidar de tantas lojas. Por isso, optei pela franquia. Em junho, fomos à Feira da ABF e o nosso estande foi visitado por 350 interessados. Atualmente, recebo de 10 a 15 e-mails por dia de investidores;, comemora. A franquia da Esmalteria Brasil é vendida por R$ 85 mil. Além desse valor, o franqueado paga uma taxa de mensal de royalties e outra para publicidade.

Boom
Até o início da década de 2000, a única franquia local com fôlego nacional era a do Giraffas. O grupo consolidou-se como um dos maiores do país e, hoje, conta com 395 estabelecimentos. O boom de franquias do DF começou em 2007, com o surgimento de marcas como a lavanderia Bonasecco e o restaurante Capital Steak House. Atualmente, em toda a capital, são 17 redes, número expressivo na Região Centro-Oeste. Goiás tem 11 franquias, Mato Grosso do Sul, 4, e nenhuma em Mato Grosso. ;Podemos explicar esse destaque no DF por causa do varejo forte. Como a economia é quase toda centrada no comércio, não tem indústria, o empresário tem perfil inovador;, explica Álvaro Silveira Júnior, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas do Distrito Federal.

Para Cláudio Miccieli, diretor regional da ABF Centro-Oeste, a renda da cidade e a alta taxa de sobrevivência dos empreendimentos locais ; 80% das empresas que abrem não fecham as portas nos dois primeiros anos ; contribuem para o destaque do DF no cenário nacional. ;Brasília é uma amostra do Brasil em sua composição, com pessoas de todas as regiões. Além disso, tem renda per capita elevada e bem distribuída;, justifica.

Em crescimento
As franquias se fortalecem cada vez mais no Brasil. Os empresários viram no modelo uma maneira de expandir as empresas sem ter que usar um capital tão alto. ;No Brasil, como os juros são elevados, é complicado um empresário crescer usando empréstimos bancários. As franquias surgem como uma oportunidade de minimizar essa situação;, analisa Cláudio Miccieli, da ABF. O resultado é um crescimento exponencial do segmento. No país, de 2003 para 2013, o faturamento praticamente quadruplicou ; pulou de R$ 29 bilhões para R$ 115 bilhões. Em 2014, mesmo sendo um ano de economia fragilizada, o setor cresceu 6%, menos que os 10% esperados, mas acima de outros segmentos, como indústria e agricultura.

O estado de São Paulo é o principal fornecedor de franquias nacionais ; são 560 marcas registradas na ABF. Em seguida, vem o Rio de Janeiro, com 125. O empresário Sidney Bezerra tinha uma franquia paulista de cursos profissionalizantes e aproveitou a experiência adquirida para abrir a própria rede. Atualmente, a Concretta Escola de Construção tem 26 unidades em operação em 19 estados brasileiros. Outras 15 devem ser inauguradas até maio de 2015. ;Uma reclamação constante entre os empregadores da construção civil era a falta de mão de obra qualificada. Como tínhamos experiência na área de educação, resolvemos abrir essa escola. Já iniciamos o negócio como franquia e deu certo;, afirma.

A primeira loja foi inaugurada em Taguatinga, no Pistão Sul, em 2012. O local é o centro de treinamentos dos franqueados. Atualmente, o preço de franquia da Concretta é de R$ 220 mil a R$ 299 mil. ;Nosso plano de expansão é conseguirmos entrar na Região Norte do Brasil e no Rio Grande do Sul, únicos locais em que não estamos presentes;, planeja Sidney.



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