O adeus à diva de Fellini

O adeus à diva de Fellini

ANITA EKBERG, ESTRELA SUECA DE A DOCE VIDA, MORRE AOS 83 ANOS EM HOSPITAL DE ROCCA DI PAPA, A 30 KM DE ROMA, ITÁLIA

Adriana Izel
postado em 12/01/2015 00:00




Se 2014 foi um ano triste para o mundo cinematográfico em relação a perdas, 2015 já deixa suas marcas. Logo na segunda semana de janeiro, o cinema perdeu uma de suas musas. A sueca Anita Ekberg, eternizada pelo filme A doce vida (1960), morreu ontem, aos 83 anos, após uma série de problemas de saúde. A atriz estava internada desde o Natal em um hospital em Rocca di Papa, comuna que fica 30 km ao sul de Roma, Itália. De acordo com informações da advogada Patrizia Ubaldi, Anita esperava se recuperar. ;Ela tinha a esperança de ficar melhor, algo que não aconteceu;, afirmou ao jornal italiano La Reppublica.

A morte da estrela hollywoodiana foi lembrada em vários lugares do mundo. Nas redes sociais, a hashtag com o seu nome esteve entre os assuntos mais comentados nos Estados Unidos e na Itália. O prefeito de Genzano, cidade perto de Roma em que ela morou por um tempo, Flavio Gabbarini declarou que a Itália sempre terá um carinho especial pela atriz. O país se tornou o segundo lar de Anita e o berço do seu sucesso.

;Lá vai o nosso muito obrigado pela contribuição que ela fez para o cinema italiano, sendo um ícone de beleza e o símbolo de A doce vida;, afirmou Gabbarini. Há informações de que a lendária sex symbol teria morrido quase sem dinheiro. Desde 2011, passava por problemas financeiros. Na época, chegou a pedir ajuda à Fundação Fellini, organização do diretor Federico Fellini, responsável pela projeção da sueca.


Sexta de oito irmãos nascidos em Malm;, na Suécia, ela foi a única da família a seguir a carreira artística. Incentivada pelos pais, aos 19 anos começou a trabalhar como modelo. No mesmo ano, consagrou-se Miss Malm; e, em 1951, virou Miss Suécia. Pelo título, foi até aos Estados Unidos para participar do concurso Miss Universo. Não venceu, mas a competição mudou sua vida. Conseguiu um contrato e participou do filme Abbott e Costello vão para Marte (1953), de Charles Lamont. O pequeno longa-metragem de ficção científica foi o início da vida profissional.

Cinema
O sucesso internacional veio com o filme franco-italiano de Federico Fellini, A doce vida, considerado uma das obras primas do neorrealismo italiano e fundamental na história do cinema. Apareceu na famosa cena da Fontana di Trevi, com um vestido decotado, ao lado do ator Marcello Mastroianni. No longa, vencedor da Palma de Ouro de 1960, Anita interpretou Sylvia Rank, uma famosa atriz sueco-americana que vive um romance com o jornalista Marcello Rubini (Mastroianni).

Desde então, tornou-se musa de Fellini, com quem trabalhou depois em Boccaccio 70 (1962), Os palhaços (1970) e A entrevista (1987). No mesmo período, ganhou destaque pela beleza física, virou uma espécie de pin-up e chegou a substituir Marilyn Monroe em uma turnê com o comediante Bob Hope. Uma vez, ele declarou que Anita Ekberg merecia o Prêmio Nobel por tamanha beleza. Depois dos anos 1980, desapareceu das telonas. A última participação como atriz foi em 2002, na série televisiva Il bello delle donne, exibida apenas na Itália. Em 2010, chegou a reaparecer no relançamento de A doce vida, na Itália.

Ao longo da vida casou-se três vezes. A primeira união foi com o ator Anthony Steel nos anos 1950 e durou três anos. Em 1963, viveu um relacionamento com o também ator Rick Van Nutter. Eles ficaram casados por 12 anos. O último marido foi o italiano Gianni Agnelli. Tinha o sonho de se tornar mãe, no entanto, nunca conseguiu realizar o desejo.




;Não suporto mais ver a cena, mas era bonita na época;
Anita Ekberg sobre sua atuação em A doce vida



Filmografia

Abbott e Costello vão para Marte (1953)
A espada de ouro (1954)
Artistas e modelos (1955)
Rota sangrenta (1955)
Guerra e paz (1956)
Ou vai ou racha (1956)
A doce vida (1960)
Bocaccio 70 (1962)
Os palhaços (1970)
A entrevista (1987)

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