Dez anos de vídeos e mitos no YouTube

Dez anos de vídeos e mitos no YouTube

O YouTube completa uma década revelando artistas e webcelebridades, além de promover mudanças no mercado cultural

postado em 24/01/2015 00:00
 (foto: Prakash Singh/AFP - 19/9/14 )
(foto: Prakash Singh/AFP - 19/9/14 )


Há 10 anos, surgia mais um site, fruto da ideia de três jovens norte-americanos. Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim acabavam de sair de seus empregos em uma grande empresa de pagamentos on-line, o PayPal. A princípio, o objetivo do YouTube era de funcionar como uma página na qual pessoas pudessem fazer o upload de filmes pessoais. Os rumos, no entanto, tomaram outras dimensões e, hoje, o site é a maior rede de compartilhamento de vídeos do mundo. Adquirido pelo Google em 2006, um ano após o lançamento, o valor do site saiu de US$ 1,65 bilhão para US$ 40 bilhões nesses 10 anos de existência.

Ao romper as barreiras de divulgação, o YouTube permitiu que pessoas comuns se tornassem produtoras de conteúdo. Assim, surgiu uma nova classe de fama: as webcelebridades. O site contribuiu ; e muito ; para reviver a indústria de víideoclipes, que passou por momentos duros de crise em um passado não muito distante. Com a simples ideia de fornecer um espaço propício para o compartilhamento mundial de conteúdo sob o formato de vídeos, a plataforma fomentou o surgimento de programas específicos da internet.



A popularização abrupta do site deu origem a diversas camadas a serem exploradas não só por pessoas comuns, mas também por artistas que buscam o reconhecimento e não conseguem acessar os meios tradicionais. Não era mais necessário ter a música no rádio ou comparecer a um programa de tevê para alcançar o público desejado e fazer sucesso. Mais uma barreira fora rompida. Clipes com mais de 1 bilhão de acessos, artistas que, da noite para o dia, viraram sensações mundiais, programas de humor com milhões de inscritos.

Para Diego Arelano, sócio da Table, agência especializada em comunicação digital, o YouTube inverteu a lógica imposta pela televisão. ;Elas (as plataformas de relacionamento) permitiram ao público compartilhar conteúdos independentes. A partir daí, o inverso passou a acontecer. Muitos veículos começaram a pautar programas de acordo com o sucesso de alguns conteúdos compartilhados na internet;, explica.

Nova lógica

E qual seria a relevância disso? Quem clicaria despretensiosamente para assistir a uma produção com a qual não tenha relação ou interesse? Imagens de animais fazendo coisas fofas, pessoas fazendo trapalhadas, músicas com megaproduções, canais de humor, a epidemia dos videoblogs. No fim das contas, o que é se tornar viral e por que as pessoas buscam isso?
;O vídeo na internet é a tevê na qual se pode assistir ao que quiser, quando quiser. O YouTube, no começo, era mais uma empresa de tecnologia que dava condições para publicar algo com qualidade. Hoje, é mais uma companhia de conteúdo que promove o que ela mesma oferta, convidando as pessoas a usá-la de uma forma parecida com a televisão, como no caso dos canais;, explica Edney Souza, professor da Fundação Getulio Vargas e especialista em internet e redes sociais.

A disponibilização gratuita de conteúdo no mundo virtual levantou duras discussões sobre direitos autorais. Uma vez na internet, dados são transmitidos e copiados inúmeras vezes, tornando-se, de certa maneira, públicos. Para Milena Grado, advogada especialista em direito autoral do escritório Patricia Peck Advogados, ;além de um prejuízo financeiro, muitas pessoas se apropriam das obras, as modificam indevidamente e as descaracterizam, fazendo com que o conteúdo perca a originalidade. Há casos de pessoas que nem sequer colocam créditos, fazendo com que o artista deixe de ser reconhecido. Isso é um grave problema.;




De onde veio a ideia?
No anos 2000, um site começou a fazer sucesso entre os jovens norte-americanos. Era o Hot or Not, no qual as pessoas enviavam fotos para a página e recebiam avaliações. Foi com base nessa ideia, mas utilizando vídeos, que surgiu o YouTube ; e também o Facebook, segundo reportagem da revista Time. No entanto, o projeto dessa forma não foi para frente ; ainda bem ; e virou a maior plataforma de vídeos da internet.




Dados

; Em 1 segundo são enviados 90 minutos de vídeo
; Em 1 minuto, 100 horas de vídeo
; Em 1 hora, 250 dias de vídeos
; Em 1 dia, 16 anos de vídeos
; Em 1 ano, 58 séculos de vídeos
; De acordo com a Nielsen,
o YouTube atinge mais adultos dos EUA entre 18 e 34 anos
do que qualquer outra rede a cabo




6 bilhões
Total de horas de vídeos assistidas por mês no YouTube ; quase uma hora para cada pessoa do planeta



1 bilhão
Número de usuários únicos do YouTube mensalmente




80%
Do tráfego do YouTube vêm de fora dos EUA

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