Gasto recorde no exterior

Gasto recorde no exterior

postado em 24/01/2015 00:00
 (foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press - 31/5/11)
(foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press - 31/5/11)


Mesmo com a alta do dólar, os gastos dos brasileiros no exterior bateram recorde em 2014. As despesas dos viajantes em outros países somaram US$ 25,6 bilhões no ano passado e alcançaram o maior valor da série histórica do Banco Central, iniciada em 1947. Foi uma alta de 2,8% em relação ao montante apurado em 2013, quando os turistas desembolsaram US$ 24,9 bilhões durante as viagens internacionais. Descontado o valor deixado por estrangeiros no Brasil, o saldo negativo foi de US$ 18,6 bilhões.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, projetou que o ritmo de crescimento dos gastos dos brasileiros no exterior será moderado em 2015. Segundo ele, com o encarecimento da moeda estrangeira, muitos adiaram os planos de conhecer outros países. ;As viagens para fora, em 2014, continuaram crescendo, mas em um ritmo bem inferior ao que vinha sendo observado em anos anteriores. Um dos fatores é a própria moderação da renda, mas o principal deles é a taxa de câmbio;, explicou.

As despesas de brasileiros no exterior bateram recorde mesmo com adoção, no fim de 2013, de medidas para conter esses gastos. A alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente nos pagamentos em moeda estrangeira feitos com cartão de débito, saques no exterior, compras de cheques de viagem e carregamento de cartões pré-pagos foi elevada de 0,38% para 6,38%.

O diretor da casa de câmbio Cotação, Alexandre Fialho, comentou que a medida alterou o perfil das operações da empresa. Disse ainda que, antes da alta do imposto, os cartões pré-pagos representavam 55% das vendas, e as de papel moeda, 45%. A partir da alta do IOF, as compras de cédulas passaram a 70% dos negócios. ;No ano passado, mantivemos o mesmo volume de 2013. A Copa do Mundo e as eleições reduziram as viagens. Em 2015, projetamos crescimento de até 20%. Esperamos uma volatilidade menor das cotações;, afirmou.

Lucros
A remessa de lucros e dividendos para o exterior encolheu 11,4% em 2014. Maciel destacou que, com o menor crescimento da economia, alguns segmentos tiveram desempenho aquém do esperado, como o de veículos. Em 2013, as montadoras enviaram as matrizes US$ 3,2 bilhões e, no ano passado, US$ 884 bilhões. O destaque positivo foi o setor de bebidas. ;Como não pode faltar uma cervejinha na mesa do brasileiro, as remessas cresceram 17,8% e chegaram a US$ 3,7 bilhões;, comentou.




Bancos veem dólar em queda
Os bancos apostam firme na queda das cotações do dólar. As instituições financeiras estão vendidas em US$ 28,6 bilhões. Isso indica que elas projetam que haverá maior ingresso de capital estrangeiro no país em 2015. No acumulado deste ano, até 21 de janeiro, porém, o saldo entre entrada e saída de divisas na economia brasileira ficou negativo em US$ 460 milhões. Em 2014, o deficit foi de US$ 9,2 bilhões.




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