Desemprego deve aumentar este ano

Desemprego deve aumentar este ano

postado em 24/01/2015 00:00

A previsão para 2015 é de que o índice de desemprego seja ainda mais alto que o registrado em 2014. No ano passado, houve a pior geração de empregos desde que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foi criado, em 2002. Segundo o levantamento, enquanto 2013 gerou 1.117.717 vagas formais, em 2014 foram criadas 396.993 ; uma redução de 64,4%.

Os números mostram que o país perdeu a capacidade de abrir vagas na proporção necessária para absorver quem entra no mercado de trabalho. Com o Produto Interno Bruto (PIB) estagnado e os aumentos nos impostos e na taxa de juros, a tendência é que o quadro piore. ;2015 vai ser um péssimo ano;, previu o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito. Para ele, o resultado divulgado ontem pela Caged já era esperado e ;foi construído; pela política monetária praticada pelo governo.

A boa notícia, segundo ele, é que a queda na geração de empregos pode ajudar a controlar a inflação. Ao reduzir o número de empregos, os salários diminuem. Como consequência, a inflação abaixa. Essa medida aumenta a expectativa dos empresários e promove o crescimento das empresas. ;O objetivo da política monetária atual é desacelerar o mercado de trabalho, de modo que os salários fiquem mais baixos e a mão de obra, mais barata;, analisou André Perfeito. ;A geração de empregos só vai melhorar quando a inflação estiver baixa;, sentenciou.

O economista Carlos Alberto Ramos, da Universidade de Brasília (UnB), concorda. Para ele, 2015 é o ano de colocar as contas em ordem. Só depois de resolver a situação econômica será possível um crescimento na geração de empregos. Ele acredita que um ajuste ocorra somente no segundo semestre. ;Gerar mais empregos só será possível em 2016. Este ano, não.;

Para Gabriel de Oliveira, de 34 anos, que está há quase seis meses sem emprego, a notícia é desanimadora. Em agosto do ano passado, o analista de sistemas foi desligado da empresa em que trabalhava há quatro anos, devido a um corte de gastos. Desde então, já contabilizou ter enviado cerca de 500 currículos, ;sem exagero;. Apenas três resultaram em entrevistas, sendo que em duas delas o trabalho não correspondia à descrição anunciada. Além da escassez de oportunidades, ele notou que os salários oferecidos estão cada vez mais baixos.

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