Quebra da safra vai encarecer o feijão

Quebra da safra vai encarecer o feijão

Luiz Calcagno
postado em 24/01/2015 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)


É questão de tempo para o consumidor sentir no bolso os resultados da estiagem que castigou o Distrito Federal nos primeiros dias de 2015. O sol forte, o calor e a falta de chuva quebraram a produção de grãos local e de estados vizinhos. Produtores de feijão de regiões rurais da capital estimam que a saca aumente 33%, de R$ 150 para até R$ 200. Outros estados importantes na produção da commodity, como Paraná, Goiás e Minas Gerais, sofreram quebras, o que diminuirá a oferta em todo o Brasil. As safras de milho e de soja também foram prejudicadas, mas, nesses casos, o preço está atrelado ao mercado internacional.

Para piorar a situação, o volume de chuvas ainda não foi suficiente para salvar o restante da produção. Como ainda não acabou a fase de colheita, nem todos os produtores têm no papel o valor das perdas, mas já estimam o prejuízo. Engenheiro agrônomo e um dos donos da Fazenda União, na região de Planaltina, William Thomas conta que perdeu 50% do feijão que plantou e 30% do milho e da soja. ;Essa safra que começa em setembro e novembro, época em que não chove bem no DF, é a principal. Vamos tentar tirar um dinheiro a mais da ;safrinha;, que é a cultivada entre fevereiro e abril. Mas isso também dependerá das chuvas;, diz.

William disse que, em conversa com agricultores de outros estados, incluindo Bahia e São Paulo, ouviu relatos de perdas. Outro produtor, Genésio Muller, afirmou que perdeu 100% da lavoura de feijão e 40% da de soja, que ele pretendia vender para cobrir o prejuízo. Por baixo, a perda de Muller chega a R$ 350 mil. ;Todo mundo está tendo prejuízo, e eu acho que o feijão deve aumentar o preço. Depois do carnaval, deve chegar a R$ 200 a saca. A dona de casa, com certeza, vai sentir;, lamentou. O secretário de Agricultura e Desenvolvimento Rural do DF, José Guilherme Leal, informou que Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do DF (Emater) está acompanhando as colheitas para elaborar um relatório técnico das perdas.

A publicação, de acordo com Leal, indicará o que o governo precisa fazer para ajudar os produtores e garantir a continuidade das lavouras. Uma das possibilidades é procurar o Ministério da Agricultura para pedir prorrogação no prazo das parcelas dos empréstimos financeiros de produtores para custear as safras. ;Faremos uma estimativa mais precisa. Nós encomendamos o relatório técnico, com o real impacto de perdas para a região. Vamos levantar o percentual de áreas asseguradas para saber se o seguro terá condições de cobrir o produtor, ou se será necessário procurar o governo federal, por meio do Ministério da Agricultura. Até o início de fevereiro, teremos as perdas reais do feijão, da soja e, mais à frente, do milho;, garantiu.

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