Ano começa com meta de inflação estourada

Ano começa com meta de inflação estourada

O IPCA-15, considerado a prévia da carestia oficial, acumulou alta de 6,69% em 12 meses, o maior indicador desde novembro de 2011. No mês, aumentou 0,89%

RODOLFO COSTA
postado em 24/01/2015 00:00
 (foto: Ana Rayssa/Esp.CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp.CB/D.A Press)


O resultado da primeira prévia da inflação sob o comando do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mostra que o ano vai ser duro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), subiu 0,89%, acima dos 0,79% registrado em dezembro e mais do que os 0,67% apontado no mesmo período do ano passado. O indicador de difusão da prévia de janeiro acelerou na comparação com dezembro. Segundo cálculos do Besi Brasil, o índice, que mede o quanto a alta de preços está disseminada, mostra que sete em cada 10 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE aumentaram os preços ; o índice atingiu 69,9% neste mês contra 64,4% de dezembro.

Depois de o governo ter comemorado a carestia abaixo do teto da meta, de 6,5%, ao fim do ano passado, o custo de vida voltou a extrapolar. No acumulado de 12 meses, o indicador ficou cravado em 6,69%, o maior desde novembro 2011. Já a taxa mensal foi a mais elevada desde fevereiro de 2011, quando o avanço foi de 0,97%. Em seis das 11 capitais pesquisadas, a inflação ultrapassou o limite da meta. Com variação acumulada de 8,15%, em 12 meses, o Rio de Janeiro foi o líder do ranking em janeiro. Brasília apresentou a quarta maior alta: 6,88%.

A pressão dos preços foi puxada, principalmente, pelo item carnes, que avançou 3,24% em janeiro ; um aumento de 0,09 ponto percentual ; e de grãos, que cresceu 6,04%. O grupo de alimentação e bebidas, responsável por 40% do IPCA-15 do mês, subiu 1,45%, pressionado também pelas variações do feijão carioca (24,25%), de batata-inglesa (32,86%) e do abacate (41,74%).

Na avaliação de Flávio Serrano, economista-sênior do banco Besi Brasil, o fechamento da carestia oficial pode trazer uma taxa entre 1,20% a 1,25%. Caso se confirme esse patamar, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) terá o pior resultado para o mês desde 2003. A inflação, contudo, não deve ser atribuído à gestão de Levy. ;O cenário de alta dos preços é um reflexo das políticas fiscal e monetária dos últimos 12 meses;, disse.

Contudo, o ajuste fiscal anunciado pelo ministro da Fazenda, que prevê cortes em despesas e aumento de impostos, terá como reflexo a elevação do custo de vida. ;As novas taxas do PIS e Cofins sobre os combustíveis vão gerar um impacto forte na inflação de fevereiro. Podemos ver alguma convergência a médio prazo, mas, a curto prazo, não há o que fazer. Os preços vão continuar elevados;, analisou Serrano. Em fevereiro, ele prevê uma inflação de 7,5% em 12 meses. No primeiro trimestre, a variação chegaria a 2,5%. Nas duas situações, os números também seriam os piores em 12 anos.

O modelo de bandeiras tarifárias nas contas de luz já provocaram impacto no IPCA-15. O sistema de cobrança do gasto com usinas térmicas, que passou a vigorar no início do mês, pressionou a energia elétrica, que registrou alta de 2,60%. O resultado atingiu o grupo de habitação, que aumentou 1,23%. A conta de energia recebida em janeiro assustou a cozinheira Socorro Bezerra, 49 anos. ;Até o ano passado, pagava cerca de R$ 55. Agora subiu para R$ 70;, reclamou. Para economizar, ela controla o consumo com eletrodomésticos e, quando pode, opta por produtos que usem outras fontes de energia. ;Não abro mão do meu radinho de pilha;, disse.

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