Passagem inusitada por Brasília

Passagem inusitada por Brasília

postado em 24/01/2015 00:00
 (foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press)



Em 2000, Abdullah bin Abdulaziz ; à época ainda príncipe-herdeiro ; liderou uma comitiva de quase 300 sauditas em viagem ao Brasil. A visita oficial, em setembro daquele ano, tinha o objetivo de buscar apoio para o ingresso da Arábia Saudita na Organização Mundial do Comércio (OMC), façanha conquistada cinco anos mais tarde. A ;invasão árabe; a Brasília, no entanto, ficou marcada por episódios inusitados. A imprensa brasileira chegou a publicar que Abdullah teria cometido a gafe de deixar o então presidente Fernando Henrique Cardoso e os demais 200 convivados esperando por mais de uma hora no Palácio do Planalto. Tudo porque decidiu tirar uma soneca, antes de encontrá-los para um almoço protocolar.

Durante a estada na capital federal, os sauditas se hospedaram no antigo Hotel Naoum, atual Windsor Plaza Brasília. Gerente de ambos, Rogério Tonatto afirmou ter ficado impressionado com a magnitude da comitiva árabe. ;Foi uma visita épica. Uma das maiores que o Brasil recebeu em sua história;, exaltou, em entrevista por telefone ao Correio. ;Além do príncipe, vieram quatro filhos, três ministros e muitos irmãos. Qualquer bolsa que você pegasse, recebia deles uma nota de US$ 100. O hotel ficou fechado para que pudéssemos recebê-los. O plano de segurança era tão forte e preparado que havia sistema de raio X na entrada do prédio e agentes espalhados por todos os andares. Atiradores de elite estavam posicionados nos edifícios ao lado;, conta.

Banquete
Ante a excentricidade da representação saudita, Tonatto revelou que o Hotel Naoum preparou uma refeição especial para os visitantes árabes. ;Um dos jantares deles foi feito aqui mesmo. Nós aprontamos um banquete suntuoso, 16 carneiros foram mortos;, afirmou. ;Nós compramos os animais vivos, mas não tínhamos como abatê-los no hotel. Então, conseguimos permissão para matá-los no aeroporto, com a presença dos seguranças da comitiva, já que a tradição manda que tudo seja feito virado para Meca;, acrescenta.

De acordo com Tonatto, a comitiva permaneceu na capital por dois dias. ;O engraçado é que eles não alteraram o fuso. Nós tivemos de nos adaptar ao horário saudita;, brincou. As capitais Brasília e Riad estão separadas por seis horas de diferença. Sobre a impressão que os árabes tiveram do serviço dispensado à comitiva, o gerente é categórico: ;Graças a Deus deu tudo certo. O retorno foi muito positivo. Eu, inclusive, tenho fotos deles aqui no hotel;, comemorou. (LF)


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