Japão espera sinal sobre dois reféns

Japão espera sinal sobre dois reféns

postado em 24/01/2015 00:00
 (foto: AFP)
(foto: AFP)


O governo de Tóquio tentava, até o fechamento desta edição, dissuadir o Estado Islâmico (EI) de matar dois reféns japoneses, horas depois do fim do prazo para o pagamento do resgate. O anúncio sobre um suposto comunicado iminente, feito por um porta-voz do grupo jihadista, aumentou o suspense no Japão. ;Não houve nenhuma mensagem; do EI, declarou à imprensa o porta-voz do governo Yoshihide Suga, reconhecendo que a situação é ;muito tensa;. O ultimato de 72 horas expirou às 14h50 locais (3h50 de ontem em Brasília). O destino de Haruna Yukawa e de Kenji Goto seguia uma incógnita.

A rede de televisão pública japonesa NHK, que entrou em contato pela internet com um suposto porta-voz do EI, divulgou um trecho de uma conversa na qual o interlocutor afirmava divulgaria um comunicado. Pela manhã, a mãe do jornalista independente Kenji Goto, sequestrado pelo EI no fim de outubro, fez um apelo emocionado às autoridades. ;Suplico, senhores do governo, por favor, salvem a vida de Kenji;, declarou Junko Ishido. ;Ele não é inimigo do Islã;, acrescentou, dessa vez dirigindo-se aos jihadistas.

O ministro das Relações Exteriores, Fumio Kishida, não quis responder sobre os contatos com o EI e ressaltou que ;o governo seguia mandando mensagens por todos os meios; para se fazer ouvir. ;O que devemos fazer é utilizar todos os canais para reunir a informação necessária e libertar os reféns;, insistiu Suga, repetindo que o Japão ;não cederá às ameaças terroristas;. O primeiro-ministro, Shinzo Abe, e o titular das Relações Exteriores pediram ajuda a Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Jordânia, Turquia, Egito, Austrália e Itália para libertar os reféns. A comunidade internacional pressiona Tóquio para não pagar a totalidade nem uma parte dos US$ 200 milhões de dólares.

Sequestrados
O primeiro refém, Haruna Yukawa, um homem de 42 anos que dizia realizar missões de segurança, foi sequestrado e maltratado na Síria por militantes islamitas em agosto, de acordo com vídeo publicado na internet. O segundo, Kenji Goto, nascido em 1967, é um jornalista independente que fornecia reportagens sobre o Oriente Médio às televisões japonesas e também era ativo nas causas humanitárias.




Vídeo teria sido ;fabricado;



Especialistas acreditam que o vídeo supostamente divulgado pelo Estado Islâmico é uma farsa. Nas imagens, os dois reféns utilizam trajes alaranjados e estão ajoelhados diante de um jihadista mascarado. Novas análises sugerem que a gravação foi feita em um ambiente fechado, utilizando-se uma ;tela verde; e um pano de fundo falso. Veryan Khan, diretora editorial do Consórcio de Análise e Pesquisa sobre Terrorismo, disse à agência Associated Presse que a fonte de luz sobre os reféns parece vir de diferentes direções ; ao contrário do brilho do sol. Segundo ela, se o vídeo tivesse sido feito com a luz natural, as sombras atrás deles estariam indo em uma única direção, em vez de convergirem.




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