Conflito no salão

Conflito no salão

A pouco mais de dois meses da estreia da liga da modalidade no DF, dois grupos rivais vivem em pé de guerra na federação, com trocas de acusações e tentativas de alijar inimigos das decisões

VÍTOR DE MORAES
postado em 24/01/2015 00:00
 (foto: Carlos Silva/CB/D.A Press - 16/11/11
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(foto: Carlos Silva/CB/D.A Press - 16/11/11 )

Há pelo menos três anos, a Federação Brasiliense de Futebol de Salão (Febrasa) enfrenta uma crise interna. Hoje, o clima quente está perto da ebulição. O resultado dessa disputa foi a criação da primeira Liga de Futsal do Distrito Federal, com início previsto para 28 de março. A iniciativa partiu de três entidades filiadas à Febrasa, insatisfeitas com as gestões anterior e atual.

Denúncias partem dos dois lados. Os clubes dissidentes AJJR, CDD Fut Art e Cresspom acusam o ex-presidente da Febrasa Weber Magalhães e o atual, Arati Antunes, de ações ilegais. Arati diz que esses filiados querem tomar o poder a todo custo para ;continuar a ter a federação para interesses pessoais;.

O desentendimento começou em 2012, quando a Febrasa, então presidida por Weber, assinou convênio com a Administração de Planaltina, no valor de R$ 240 mil para atividades relacionadas ao futebol de campo e de salão. O Tribunal de Contas do DF ainda julga o caso, e o então administrador, Nilvan Vasconcelos, foi exonerado em agosto passado por dispensa ilegal de licitação.

As relações pioraram em 2014. Em maio, após assembleia, representantes das associações filiadas emitiram comunicado para exonerar Weber do cargo devido à não aprovação das prestações de contas de 2011 e 2012. Dois meses depois, o presidente do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD/Febrasa), Newton Antunes, pai de Arati, devolveu o cargo a Weber por não reconhecer motivos para o afastamento. Weber, então, nomeou Arati para a Superintendência Operacional e Financeira.

;Não estou mais à frente da federação, mas tudo foi feito dentro da legalidade, da normalidade;, defende-se Weber Magalhães. ;Eu coloquei dinheiro para ajudar a Febrasa. Esse grupo tenta prejudicar o futsal a todo tempo, mas não conseguiu;, continua.

Desfiliação

Em novembro, Newton Antunes convocou uma assembleia, a fim de propor a ;desfiliação de entidade;. A filiada em questão era a AJJR, de Alex Borges, um dos opositores. No mesmo dia, Newton voltou a publicar ato suspendendo os direitos federativos da AJJR. Entre os motivos, o presidente do TJD/Febrasa alegou que Alex descumpriu o estatuto da federação. A base da argumentação é o Artigo 70, que determina: entre os deveres dos filiados está ;impedir dirigentes, associados, atletas ou quaisquer pessoas (;) de promoverem o descrédito da Febrasa ou a desarmonia entre as suas filiadas.;

Acusado de favorecer a situação, Newton se irrita e ataca os opositores. ;Estou em Brasília há 54 anos e não quero ver meu nome envolvido nessa confusão. Você acha que vou permitir que três bandidos maculem a federação?;, reage o presidente do tribunal. ;Não existe mais TJD na Febrasa, mas, sim, uma junta disciplinar formada por dois homens, pai e filho, que, indevidamente, assumiram o direito de tomar as decisões da Justiça Desportiva;, diz documento da AJJR enviado à Corregedoria do tribunal.


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