Uma nova postura

Uma nova postura

CARLOS ALEXANDRE carlosalexandre.df@dabr.com.br
postado em 17/03/2015 00:00


As manifestações de domingo demonstraram a necessidade urgente de o governo ; personificado pela presidente Dilma Rousseff ; mudar a postura. Definitivamente, é preciso deixar de lado a soberba, buscar a conciliação para o impasse político e resgatar a credibilidade econômica. De forma mais urgente ainda, é preciso acabar com essa ideia de golpismo, tão recorrente quanto rasa entre os defensores do modelo petista. Reconhecer a vitória de Dilma Rousseff nas urnas não significa aceitar placidamente as políticas, as alianças, os acordos tácitos, as decisões, o fisiologismo que obedecem o projeto político do PT. Faz parte da democracia. O Partido dos Trabalhadores conquistou as urnas porque defendia nova forma de fazer política. No poder, mostrou-se igual ou pior do que as tradicionais forças políticas que integram a arena nacional. Os brasileiros têm, pois, todo o direito de expressar o descontentamento. Isso não quer dizer, entretanto, que os malfeitos cometidos até aqui justifiquem ruptura tão drástica como um processo de impedimento contra a presidente da República.

Os atos pacíficos e espontâneos que reuniram centenas de milhares de pessoas na maior manifestação popular desde as Diretas Já indicam que parcela significativa de brasileiros está indignada com a deterioração econômica e se sente ultrajada pela espiral de corrupção que traga a Petrobras a níveis inimagináveis. Trata-se de clamor relevante, manifestadamente expresso durante as eleições, e que até domingo passado os titulares do poder insistiam em ignorar. Meses após as eleições, causa espanto ouvir ministros e a própria presidente virem a público para dizer que governam para todos os brasileiros. E havia alguma dúvida? O tom ameno do discurso oficial contradiz a campanha ;nós contra eles; que marcou a corrida eleitoral e distoa profundamente com as convocações de ;exércitos;de militantes em defesa da causa petista.

Como ocorreu em 2013, após as passeatas de junho, o governo se comprometeu a combater a corrupção e propôs a reforma política. Ora, será preciso restabelecer novas bases de diálogo para aprovar no Congresso medidas nesse sentido. Mas como este governo é inábil em dialogar e o Congresso passa por momento delicado, com os presidentes das duas Casas sob investigação, é altamente improvável que as intenções do Planalto pós-manifestações se concretizem. E continuamos no impasse. Se quiser reverter quadro tão desfavorável, caberá ao Planalto fazer mais. O país quer respostas.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação