ARI CUNHA

ARI CUNHA

Desde 1960 Visto, lido e ouvido aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha / circecunha.df@dabr.com.br

postado em 17/03/2015 00:00


Dividir para dominar
e depois perder

Entre 2,5 milhões e 2,9 milhões de pessoas foram às ruas em mais de 150 cidades do país nesse domingo com propósito bem específico: pedir o afastamento de Dilma Rousseff e do seu partido do governo. De quebra pediram também a prisão imediata de todos os comprovadamente corruptos. As vaias, os panelaços, as manifestações de rua, a atuação das mídias e a própria Justiça, com o Ministério Público à frente, vêm, pouco a pouco, encurralando este governo e parte do Congresso num beco sem saída.

Essa posição acuada do governo federal e de importantes figuras políticas complica, ainda mais, os problemas do país, fragilizando a governabilidade como um todo, com reflexos diretos na questão premente da reestruturação da economia.

A credibilidade do governo é o lastro primeiro que garante e avaliza os rumos da economia. Com a perda da confiança nos governantes, a nação fica sem bússola e referência, adentrando por mares tenebrosos, onde tudo pode acontecer, inclusive reações fratricidas.

Saber como chegamos até aqui é relativamente fácil, basta conferir o amontoado de disparates ditos ao longo da última década pelas lideranças maiores do partido no poder, principalmente na pregação sistemática da cisão do país entre ;nós; e ;eles;. O que se colhe agora é o produto de meticuloso trabalho de dissipação e instigação da revolta de classes, feitas com o intuito de ;dividir para dominar;.

O país está, hoje, claramente dividido entre os 7% da população que ainda apoiam o atual governo e os demais que anseiam por mudanças urgentes. Uma parte da divisão social que Lula tanto insistiu em construir também marcou presença. Só viu quem não quis, só não ouve quem não quer.


A frase que foi pronunciada

;Nem todas as perdas são vidas jogadas fora. Algumas são necessárias.;

Lia Luft


Prisão

; Na sexta-feira, a Câmara Legislativa debateu sobre os estabelecimentos prisionais no DF. Vários convidados participaram e houve unanimidade em dois pontos. A superlotação e a falta de pessoal para trabalhar são os maiores problemas. A audiência pública foi feita a pedido do deputado Raimundo Ribeiro, que defende a melhoria no sistema para que o Estado cumpra a função diante do preso e da sociedade.

Ampliação

; É certo que investir na educação e preservar a família diminuem a incidência de encarcerados. Mas é preciso fazer investimentos porque o sistema está a um passo de um colapso. Prendem-se os mais perigosos e os outros são liberados. A falta de vagas acelera a necessidade de ampliação das instalações existentes. João Carlos Souto, secretário de Justiça, defende a humanização e contribui com a ideia da tornozeleira para que os menos perigosos
não fiquem impunes.

Comunicação

; Vindo do Amapá, Jory Oeiras, deputado estadual, descreveu a situação dos presídios amapaenses. Sabia o que estava falando, já que era agente penitenciário antes de se candidatar. Para ele, a troca de informação das polícias Militar, Civil e Federal de todo o país seria fundamental para o agir proativo e preventivo.

Execução

; Das 7.600 vagas, o DF tem encarceradas 14.015 pessoas. A juíza Leila Cury, da Vara de Execuções Penais, confessou que não há recursos humanos suficientes para administrar essa população. Além disso,
43 mil processos tramitam com apenas três juízes.

Concentração

; Por outro lado, o Ministério Público está em processo de criação de núcleo específico para o acompanhamento da execução penal. Adriana Albuquerque, promotora de Justiça, também sente a necessidade de investimentos no sistema prisional.

Criação

; Alexandre Queiroz, que preside a Comissão de Ciências Criminais da OAB, informou na audiência pública que o Brasil se aproxima, no ranking mundial, da maior população carcerária com 200 mil presos. A contribuição do dr. Queiroz é a criação do Código Penitenciário do DF. Aproveitou para criticar o fato de no DF ser permitida visitação durante a semana. Em todos os estados, elas acontecem apenas aos
fins de semana.

Colocação

; Apenas 10% dos presidiários conseguem colocação no mercado de trabalho. Os órgãos públicos absorvem mais que as empresas privadas. Por enquanto, nesse último caso, apenas quatro firmaram contrato com a Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap). Francisca Aires sugeriu seguro-desemprego para sustentar o ex-presidiário por pelo menos 6 meses, até que consiga trabalhar.

Humanização

; Familiares de presos aproveitaram a reunião para descrever o tratamento dado aos visitantes nos presídios. Reivindicaram mais humanidade e dignidade no trato. O resultado da reunião, segundo o portal da Câmara Legislativa, será transmitido ao GDF.


História de Brasília

Ontem, o sr. Fábio fechou a agência e foi para a inauguração do Banco da Lavoura. Em meio à solenidade, foi procurado por um comerciante, que ;queria mandar uma carta;. (Publicado em 10/8/1961)


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