Putin "volta" no aniversário da anexação da Crimeia

Putin "volta" no aniversário da anexação da Crimeia

postado em 17/03/2015 00:00
 (foto: Anatoly Maltsev/AFP)
(foto: Anatoly Maltsev/AFP)



Depois de 10 dias de uma ausência que deu margem a todo o tipo de rumores, o presidente Vladimir Putin reapareceu em público ontem, dia do primeiro aniversário do controverso referendo que aprovou a anexação da Crimeia pela Rússia. Ao lado do presidente do Quirguistão, Almazbek Atambayev, Putin rebateu de forma irônica os boatos envolvendo seu desaparecimento ; de uma doença à morte, passando pelo nascimento de um filho na Suíça. ;Nós ficaríamos chateados se não existissem rumores;, disse o presidente russo, no início de uma reunião no Palácio de Konstantinov, na região de São Petersburgo. Ele não deu qualquer explicação para o ;sumiço;.

Cobrado durante toda a semana passada sobre o paradeiro do chefe, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, também usou de ironia ao comentar o ressurgimento de Putin. ;Então, todos viram agora um presidente paralisado, sequestrado por um general e que acabou de retornar da Suíça, onde teve um bebê?;, perguntou Peskov, para dar o assunto por encerrado: ;Não queremos mais falar sobre isto. Está tudo bem;.

Para alguns, Putin, 62 anos, estava um pouco mais pálido do que o habitual. O presidente russo não aparecia em público desde 5 de março, quando concedeu uma entrevista coletiva ao lado do primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi. Na semana passada, toda a agenda foi cancelada, inclusive uma viagem ao Cazaquistão. O sumiço do líder russo fez com que levantassem a possibilidade até de que Putin havia sido vítima de um golpe de Estado. Alguns chegaram a mencionar uma viagem à Coreia do Norte para um campeonato de judô.

Celebração
Ontem, enquanto a Crimeia comemorava o ;retorno; à Rússia, a União Europeia reiterou a condenação à anexação da península e manifestou preocupação com a ;crescente militarização; da região. ;Um ano após a realização de um ;referendo; ilegal e ilegítimo, e após a anexação ilegal da Crimeia e de Sevastopol pela Rússia, a União Europeia continua claramente comprometida com a soberania e integridade territorial da Ucrânia;, assinalou a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, em um comunicado.

As autoridades da Crimeia afirmam que 97% dos votantes responderam afirmativamente à proposta de anexação, mas a votação, que teve lugar na ausência de observadores independentes, foi considerada ilegal por Kiev e os ocidentais. No documentário Crimeia. A volta para casa, Putin afirma que a Rússia atuou para ;evitar um derramamento de sangue; e que, no caso de uma intervenção militar ocidental, teria colocado as forças nucleares em estado de alerta.

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