Escândalo atinge aliados de Chávez

Escândalo atinge aliados de Chávez

Assessores do ex-presidente são suspeitos de lavagem de dinheiro na Espanha. Quantia movimentada chegaria a US$ 4,2 bilhões. Maduro oficializa superpoderes

postado em 17/03/2015 00:00
 (foto: Barreto/AFP)
(foto: Barreto/AFP)



Funcionários de alto escalão do governo do falecido presidente Hugo Chávez são investigados na Espanha em um caso de lavagem de dinheiro, segundo reportagem do jornal espanhol El Mundo. A publicação afirma que três vice-ministros da gestão de Chávez, um ex-chefe de inteligência, um empresário e um ex-executivo da estatal PDVSA teriam movimentado recursos oriundos de suborno por meio do Banco Madrid, que declarou falência ontem.

Segundo o El Mundo, estima-se que a quantia movimentada pelo grupo seja de US$ 4,2 bilhões. O Banco Madrid é uma filial do Banco Privado de Andorra, que figura no centro de um escândalo de lavagem de dinheiro. Os venezuelanos investigados tiveram os nomes incluídos numa relação de clientes da instituição elaborada pela Comissão de Prevenção de Lavagem de Capitais (Sepblac) da Espanha. O El Mundo destaca que o relatório informa que o banco não tomou ;as medidas necessárias para evitar; que esses clientes lavassem dinheiro.

Os nomes do ex-vice-ministro de Energia da Venezuela Nervis Gerardo Villalobos, do ex-vice-ministro de Desenvolvimento Elétrico Javier Alvarado e do ex-vice-ministro de Interior e Segurança Cidadã Alcides Rondón são mencionados pela publicação. O jornal recorda que, em 2013, o então embaixador americano em Caracas, Otto Reich, denunciou irregularidades em projetos energéticos na Venezuela envolvendo Villalobos e a empresa espanhola Duro Felguera, que teria oferecido subornos para obras e repassado 1,5 bilhão de euros ao ex-vice-ministro de Energia por um serviço de consultoria.

O ex-diretor de segurança do regime chavista Carlos Luis Aguilera Borjas, o ex-dirigente da petrolífera PDVSA Francisco Rafael Jiménez Villarroel e o empresário Omar Farías também seriam citados na relação da Sepblac. Apesar de membros da oposição terem manifestado interesse em pressionar por mais esclarecimentos sobre o caso, a revelação ganhou pouco destaque na imprensa venezuelana. O deputado opositor Abelardo Díaz disse ao jornal espanhol que as informações da publicação serão revisadas para a elaboração de ;denúncias adequadas;. Díaz, porém, observou que será difícil prosseguir com investigação em seu país. ;Sabemos que investigações desse tipo estão vetadas na Venezuela;, ressaltou.

Autorização
Em meio aos impasses entre Caracas e Washington, o presidente Nicolás Maduro, herdeiro político de Chávez, recebeu oficialmente autorização para governar via decreto. Depois de a Assembleia Nacional aprovar a Lei Habilitante em favor do mandatário, a medida foi publicada no Diário Oficial do país, a fim de permitir que Maduro responda às novas sanções americanas e garanta ;a soberania nacional;. Desde o último sábado, as Forças Armadas venezuelanas realizam exercícios militares, interpretados como uma demonstração do poderio bélico diante das tensões entre EUA e Venezuela. Segundo a agência de notícias France-Presse, a movimentação deve durar dez dias, e os governos de China e Rússia ofereceram apoio às forças venezuelanas.

O impasse entre Caracas e Washington ocorre em meio a uma crise política e econômica no país sul-americano. O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel García-Margallo, considerou que a ;situação de instabilidade; provoca preocupação. Durante encontro de chanceleres da União Europeia, em Bruxelas, ele descartou a necessidade de discutir sanções contra o governo de Maduro.


Diálogo com Cuba sob ameaça

Representantes dos Estados Unidos e de Cuba retomaram as negociações em Havana para o restabelecimento das relações diplomáticas, depois de meio século de ruptura. Após dois ciclos de discussões em Havana e Washington, a chefe da diplomacia americana para a América Latina, Roberta Jacobson, iniciou um encontro a portas fechadas com a diretora dos Estados Unidos da chancelaria cubana, Josefina Vidal. Segundo um funcionário do Departamento de Estado americano, ;está no melhor interesse dos dois países que as relações diplomáticas sejam estabelecidas e que as embaixadas sejam reabertas;. A incitava, porém, pode esbarrar nas tensões entre Washington e Caracas, importante aliado de Havana. O governo de Barack Obama anunciou sanções contra sete funcionários de alto escalão da Venezuela.
Em resposta, o regime cubano defendeu Caracas e acusou os EUA de ingerência.


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