Solidários em rede

Solidários em rede

Multiplicam-se na internet convocações e troca de ideias ligadas a ações sociais. No Distrito Federal, não é diferente. Moradores da cidade contam como usam o meio virtual para fazer o bem

postado em 17/03/2015 00:00
 (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press  - 31/1/15 )
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press - 31/1/15 )




Há seis meses, Daniela Estevam, 35 anos, e cinco amigas resolveram começar o projeto Somos um só. Quem ama doa. ;Uma delas queria fazer um trabalho social e eu já tinha comentado que planejava o mesmo. Acabamos nos reunindo com mais quatro pessoas para decidir o que faríamos. Escolhemos idosos porque mexem mais conosco;, conta a servidora pública. A primeira campanha do grupo foi a arrecadação de itens de higiene pessoal e produtos de limpeza em outubro do ano passado. ;Escolhemos um asilo e fizemos um levantamento do que eles mais precisavam. Começamos a fazer os pedidos pelo Instagram e pelo Facebook. Foi um sucesso;, comemora.

Daniela e as amigas só recorreram à internet para ajudar a instituição. ;Não fizemos nenhum um outro tipo de divulgação. Todo mundo já estava familiarizado (com o meio de divulgação). Achamos que era o meio mais rápido, fácil e abrangente;, diz a servidora pública. De uma convocação virtual, surgiu e cresce um projeto que facilita a aproximação de pessoas pelo bem dos idosos. O fenômeno, dizem especialistas, tem crescido na rede mundial de computadores para beneficiar diferentes públicos. A facilidade da divulgação e a rapidez com que ela se espalha estão entre as razões disso.

;Uma das principais facilidades é a abrangência, uma rede social não tem limites geográficos. E existe a facilidade relacionada ao tempo, não é necessário que a informação chegue em tempo real;, detalha Zanei Barcellos, professor de comunicação social da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Daniela destaca ainda a possibilidade de conseguir ajustar a boa ação às demandas do dia a dia. ;Todas nós temos família, filhos. Então, ficava difícil fazer a campanha panfletando na rua, por exemplo. Nós estávamos até com dificuldade de nos reunir. O WhatsApp foi muito útil nessa hora;, conta.

Zanei Barcellos ressalta que as facilidades da internet trouxeram também diversidade às campanhas de solidariedade, amenizando uma queixa comum entre as pessoas dispostas a ajudar: o não saber como chegar a quem precisa. ;Sem dúvidas, (essas ações solidárias) ganharam força. Mas também mais concorrência. As pessoas têm um leque muito maior de opções para decidir que trabalho social realizar. Mesmo assim, não vejo como uma coisa ruim;, analisa. Barcellos alerta, porém, que ;é preciso tomar os cuidados de sempre;: ; Ver a origem da informação e se realmente aquela ação merece credibilidade;.

Perigos e cuidados

Um estudo da Universidade de British Columbia, no Canadá, reforça esse discurso do cuidado. Segundo os cientistas, apoiar causas sociais na internet pode não surtir o efeito desejado. Há o risco, na verdade, de o ato gerar efeito contrário. Se o usuário limita-se a curtir ou a compartilhar as propostas nas redes sociais, ele pode ficar com a sensação de dever cumprido sem ter, de fato, feito ações mais significativas.

O ato de apenas curtir e compartilhar postagens ganhou até um termo: o slacktivism (slack, de preguiçoso, e activism, de ativismo). A expressão é usada para definir quem demonstra uma imagem de engajamento, mas que, na verdade, não faz muito esforço nesse sentido. Barcellos, no entanto, não desvalida as ações dos militantes de sofá. ;Realmente, é diferente do que colocar a mão na massa, mas não deixa de ser uma forma de participar. Se eu não posso fazer alguma coisa, o curtir significa que eu acredito naquilo. Quando eu compartilho, estou ajudando a divulgar uma causa, assino embaixo. Posso estimular alguém que vá fazer alguma coisa.;

Assim como o especialista, Beatriz Lobo, 53 anos, acredita que os botões de curtir e compartilhar são de grande ajuda para as ações sociais realizadas por ela no abrigo de animais Flora e Fauna. ;Eles ajudam a chegar às pessoas que vão poder ir além, fazerem a ação. A internet é essencial para o nosso trabalho. Funciona como a nossa ferramenta de divulgação e de pedido de ajuda.;

A página do projeto no Facebook é o principal meio usado por ela e pelos outros voluntários para achar um lar para os animais abandonados, conseguir dinheiro para a cirurgia de bichinho doentes e fazer campanhas de arrecadação de ração. ;Com a abrangência e o resultado, vai crescendo o uso dela. É informação fácil, rápida;, diz Beatriz. Às pessoas que procuram o projeto ao encontrar animais, por exemplo, a instrução é simples: ;Fazer um post, colocar na página do abrigo e nós vamos compartilhando.;

Mesmo as ações realizadas pelo abrigo fora da internet contam com a ajuda das redes sociais. Os bazares, os mutirões de banhos de animais e as feiras de adoção são divulgados principalmente pela página no Facebook. E quem vai aos eventos pela primeira vez recebe o aviso de que as informações estão na rede. ;Entregamos o folheto e mostramos que lá tem o endereço da página com todas as informações do nosso trabalho e fotos;, conta Beatriz.

Além de veículo para os pedidos de ajuda, as redes sociais do abrigo servem como meio de conscientização. ;Acho que o caminho (para diminuir o número de animais abandonados) é a castração. A equipe que trabalha com as postagens fez uma divulgação muito legal sobre isso, para conscientizar.;

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