Começando com os amigos reais

Começando com os amigos reais

postado em 17/03/2015 00:00
 (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press - 19/2/15 )
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press - 19/2/15 )

Ao descobrir que, com o tratamento contra o câncer seu cabelo não iria cair, Thábita Pereira, 23 anos, resolveu começar uma campanha na internet para ajudar quem sofreria com o efeito colateral da quimioterapia. ;O cabelo não era mais uma prioridade na minha vida. Pesquisei na internet e vi que o meu daria quase quatro perucas. Me animei com a ideia de ajudar outras pessoas que não teriam a mesma chance que eu.;

A campanha da estudante foi rápida: durou uma semana. A jovem descobriu que precisava fazer uma cirurgia e precisava agilizar a ação solidária. Apesar do pouco tempo que tinha para fazer as arrecadações, Thábita contou com o alcance do Facebook para recrutar voluntárias. ;Expliquei, no post, que 10 centímetros de cabelo já ajudava, onde era o salão e que as perucas seriam doadas para o Hospital de Base e o Hospital da Criança. Amigas e primas que moram em outros estados viram e se interessaram, cortaram o cabelo e mandaram pelo correio;, lembra.

Professor de comunicação social da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Zanei Barcellos avalia que, como aconteceu com Thábita, a disseminação da ideia solidária pode ser ainda mais efetiva quando chega a amizades que não se limitam ao mundo virtual. ;As pessoas escolhem quem participa de suas redes, o que pode significar que tem uma aprovação prévia para aquilo que vão postar, facilitando o abraço a uma causa por parte dos seguidores;, explica.

Os resultado da campanha da estudante indicam o fenômeno. Primeiro, Thábita arregimentou os conhecidos. E acabou espalhando a ideia além do seu ciclo de amizade. ;Para o pouco tempo que tive, gostei do que aconteceu. Várias pessoas falaram comigo, não só os amigos meus, que acharam a proposta muito boa. Eu imagino que de 30 a 40 pessoas doaram cabelo.;

Logo depois do sucesso das doações, Thábita teve que recorrer novamente à internet. Desta vez, para ajudá-la. ;Pouco antes da minha cirurgia, descobri que precisava ter feito uma coleta de sangue para deixar no banco. Pedi para o meu tipo sanguíneo, mas falei que qualquer um podia ajudar. Muita gente doou e eu acabei nem precisando usar.; A estudante apoia o uso das redes sociais, desde que seja feita de maneira consciente. ;A internet pode fazer o bem ou o mal. Então, se temos a chance de usá-la para ajudar outras pessoas, vamos fazer o bem.;

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