Todos contra o corte das administrações

Todos contra o corte das administrações

Nenhum deputado distrital é a favor do projeto de lei do Executivo que prevê a fusão, e a consequente redução, das regionais. Eles são os principais articuladores das indicações dos administradores. Como se não bastasse, a medida tem sofrido forte resistência da população

» ARTHUR PAGANINI
postado em 17/03/2015 00:00
 (foto: Carlos Gandra/CLDF)
(foto: Carlos Gandra/CLDF)

O Governo do Distrito Federal (GDF) enfrenta grande resistência ao projeto de lei que diminui as administrações regionais das atuais 31 para 24 e, se for adiante, a tramitação da proposta pode acabar em uma derrota retumbante para o Palácio do Buriti. Na Câmara Legislativa, onde o projeto é discutido, os deputados distritais, sem exceções, são contrários à medida. São eles mesmos os grandes articuladores das indicações de administradores e do pessoal comissionado nessas repartições. Sem a aprovação do projeto, o Executivo terá dificuldades para cortar despesas com pessoal nessas localidades. Há décadas, administrações regionais serviram para cabides de empregos destinados a apadrinhados do governo.

Porém, também é visível um componente popular para tentar impedir que os parlamentares aprovem a iniciativa do GDF. Desde que chegou à Câmara, o assunto é duramente criticado por líderes comunitários. Na semana passada, uma comissão geral foi realizada na Casa para debater o assunto e o consenso entre os distritais é que a medida não deve ser aprovada.

O encaminhamento da matéria pelo Executivo evidenciou um quadro inédito nesta legislatura: o GDF não conta com o apoio de um único parlamentar para defender o Projeto de Lei 182/2015. Até mesmo no encaminhamento do aumento de impostos, o GDF contou com a base aliada, mas, desta vez, o grupo deixou o governo isolado. ;Não há condições de votar porque a reação popular foi muito forte. No dia da comissão geral que debateu o tema, vimos as galerias lotadas de pessoas contra a proposta, sendo que não fizemos nenhuma divulgação especial nas cidades;, diz a presidente da Casa, Celina Leão (PDT).

A pedetista se refere a uma reunião ocorrida na quinta-feira, quando centenas de pessoas esperaram a votação do Refis, que durou quatro horas, para participar da comissão geral que ouviu a população das cidades afetadas. ;Vimos pessoas de outras regiões que vieram participar apenas para ter certeza se também seriam afetadas pelo projeto;, emenda Celina. O projeto tramita nas comissões de Assuntos Fundiários (CAF), Economia, Orçamento e Finanças (CEOF) e na de Constituição e Justiça.

Tradicionalmente, o roteiro de nomeações de administradores passa pelos deputados. São eles os principais articuladores políticos nas cidades e os mais beneficiados com o apadrinhamento das administrações. Mas, segundo Rodrigo Delmasso (PTN), não é esse o motivo pelo qual os colegas não querem aprovar o texto. ;Não há consenso porque é um projeto que coloca o deputado contra a população, e ninguém quer isso;, garante. Ele, que alega não ter indicado administradores, sugere que a reestruturação administrativa poderia deixar de lado essas repartições. ;A fusão de algumas delas não atende aos anseios das populações envolvidas. A criação de uma representação do Estado na Fercal ou no Varjão, por exemplo, partiu da mobilização popular. Ninguém aqui quer retirar esse direito;, diz.

Ao fim da comissão geral, 19 distritais assinaram uma moção para pedir ao Executivo que retire o projeto. Professor Reginaldo Veras (PDT), que não assinou o documento, também é contrário ao projeto. Para ele, faltou articulação política para o encaminhamento da matéria. ;Até acho que algumas administrações poderiam ser fundidas e outras poderiam ser criadas, mas o fundamental é reduzir o cabide de emprego e convocar mais concursados para exercer as atividades nas administrações;, afirma.

O novo mapa

Veja como ficariam distribuídas as administrações regionais


RA 1 ; Plano Piloto
RA 2 ; Gama
RA 3 ; Taguatinga
RA 4 ; Brazlândia
RA 5 ; Sobradinho
RA 6 ; Planaltina
RA 7 ; Paranoá
RA 8 ; N. Bandeirante, Candangolândia e Park Way
RA 9 ; Ceilândia
RA 10 ; Guará e SIA
RA 11 ; Cruzeiro, Sudoeste e Octogonal
RA 12 ; Samambaia
RA 13 ; Santa Maria
RA 14 ; São Sebastião
RA 15 ; Recanto das Emas
RA 16 ; Lago Sul e Jardim Botânico
RA 17 ; Riacho fundo I
RA 18 ; Lago Norte e Varjão
RA 19 ; Vicente Pires
RA 20 ; Águas Claras
RA 21 ; Riacho Fundo II
RA 22 ; Sobradinho II e Fercal
RA 23 ; Itapoã
RA 24 ; Estrutural



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