Tiros em homenagem a PM

Tiros em homenagem a PM

Familiares, amigos, colegas de farda e representantes do Executivo local participaram ontem do enterro do sargento Reginaldo, morto ao atender ocorrência de violência contra uma mulher. Muitos usaram branco em nome da paz

LUIZ CALCAGNO
postado em 17/03/2015 00:00
 (foto: Renato Araújo/Agência Brasília)
(foto: Renato Araújo/Agência Brasília)

Quase 3 mil pessoas participaram do enterro do policial militar Reginaldo Francisco Vieira, 40 anos, assassinado ao socorrer uma grávida na Quadra 312 do Condomínio Del Lago, no Paranoá. A maioria dos presentes era integrante da PM e do Corpo de Bombeiros. O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, e secretários também prestaram homenagens ao militar. O sargento foi enterrado às 16h30 de ontem, sob toques de corneta e uma salva de tiros, após um cortejo em que o caixão foi levado por PMs do Grupo Tático Operacional.


Reginaldo morreu em uma troca de tiros na noite do último domingo, quando atendia, pela segunda vez no mês, uma ocorrência de violência doméstica no endereço. Ele chegou acompanhado de um colega. A vítima das agressões, Hulyana Priscilla Barros Ferras, 23, grávida de cinco meses, estava em frente à residência. Enquanto conversavam com a jovem, o companheiro dela, Gilmar Ribeiro Rocha, 43, acusado de bater nela, abriu a porta e surpreendeu os militares a tiros. O sargento, que usava um colete à prova de balas, foi atingido na axila, parte vulnerável do equipamento de segurança. O outro militar revidou, atingiu o suspeito e o matou. Hulyana Priscilla também ficou ferida, mas sem gravidade.


Na cerimônia, parentes e amigos próximos se vestiram de branco em protesto contra a violência. O cemitério ficou lotado de carros da PM, e helicópteros da corporação sobrevoaram o local repetidamente. No fim do enterro, a mulher do policial, Luana Vieira, muito emocionada, passou mal. Policial Militar desde outubro de 1999, Reginaldo deixou a mulher e dois filhos, sendo que o mais novo, de 2 anos, é adotado. Pouco antes de o caixão deixar a Capela Ecumênica do Cemitério Campo da Esperança, Rollemberg disse que ele ;é um exemplo; para os brasilienses. ;Viemos prestar a nossa solidariedade à família, comunicar a promoção post-mortem do sargento e manifestar o nosso reconhecimento e confiança na PM;, declarou.


;Família;
A cunhada do militar, Juliana Ferreira, 38, afirmou que, além do luto, a família sente ;muita revolta;. O homem que matou Reginaldo, Gilmar tinha sido preso por um homicídio cometido em 8 de novembro de 1994, por uma tentativa de assassinato praticada em 1999 e aguardava julgamento por outro crime semelhante, registrado em 16 de abril de 2006. Ele cumpria pena em regime domiciliar desde 23 de dezembro de 2013. ;Ele foi morto por um marginal que tinha diversas ocorrências e estava em liberdade. A nossa PM enxuga gelo. Prende essas pessoas, e a Justiça solta;, lamentou.


O comandante do 20; BPM, tenente-coronel Wilson Sarmento dos Santos, lamentou a morte do policial militar, lotado na unidade do Paranoá e do Itapoã. Ele disse que o sargento era um policial ;competente e cortês;. ;É uma situação dolorosa. Sentimos como se cortassem a nossa carne. A corporação é como uma grande família. Ele era querido, amável e dedicado;, disse.

Protesto policial
Os altos índices de violência contra policiais motivaram uma manifestação nacional amanhã. Entidades representativas de policiais civis, federais e rodoviários federais cobrarão do governo federal políticas de segurança pública e melhores condições de trabalho. Estão previstas paralisações em todos os estados e no DF. Para debater a onda de crimes contra policiais, sindicatos participarão de sessão especial promovida pela Frente Parlamentar da Segurança Pública, na Câmara dos Deputados. ;Precisamos resgatar a autoridade policial e a autoestima dos nossos agentes;, diz o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do DF (Sinpol), Rodrigo Franco. O policiais querem a aprovação da PEC 339, de 2009, que institui o pagamento de adicional noturno aos agentes, a remodelação da segurança pública, entre outros.

Memória

Na mira dos bandidos

Em 29 de janeiro, o policial militar Luiz Claudio Coutinho da Silva, 48 anos, morreu após ser baleado durante uma tentativa de assalto em Taguatinga Norte. Ele saía de casa, na QNM 26. Os suspeitos fugiram. O PM levou três tiros, um de raspão na cabeça, um no tórax e outro no braço esquerdo.


Em 30 de janeiro, na área rural de Planaltina, o PM reformado Alfredo Sabino de Oliveira, 50 anos, foi abordado por homens armados ao sair de uma festa religiosa. Eles dispararam oito vezes. Quatro tiros atingiram o militar, de raspão no rosto, nas costas, no braço e na perna. O policial foi encaminhado ao Hospital Regional de Planaltina.


Em Valparaíso, cidade goiana localizada a 35km de Brasília, um policial ficou ferido em 31 de janeiro, durante troca de tiros. A equipe de PMs estavam em uma viatura descaracterizada em um parque da cidade, por volta das 20h, quando foram abordados por um grupo de assaltantes. Cristiano Oliveira, 35 anos, levou dois tiros no tórax e foi encaminhado ao Hospital Regional de Santa Maria.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação