Escolha sem medo

Escolha sem medo

Saiba a verdade sobre alguns mitos que preocupam os pais na busca pela modalidade mais adequada para os filhos em fase de crescimento. A prática correta das atividades não prejudica o desenvolvimento corporal de crianças e adolescentes

postado em 17/03/2015 00:00
 (foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press)


Especialistas recomendam atividades físicas para crianças e adolescentes terem uma vida mais saudável. Porém, com tantas opções, nem sempre é fácil escolher o esporte ideal. Na procura da modalidade ideal, surgem dúvidas sobre os melhores exercícios a serem adotados na fase de crescimento dos filhos. Musculação é ruim para adolescentes? Ginástica olímpica deixa a criança mais baixa? Natação torna os ombros largos? Jogar basquete desenvolve a altura? O tênis faz com que o corpo fique assimétrico? Futebol encurta as pernas?

Os esportes e as dúvidas são diferentes, mas a resposta é a mesma: mito. Segundo Renata Elias, doutora em ciência da saúde, a atividade física não interfere na altura das crianças. ;A pessoa cresce o que está genéticamente proposto para crescer;, explica. Outros fatores, no entanto, podem afetar o desenvolvimento. ;As únicas coisas que influenciam o crescimento são a desnutrição grave e doenças, como a insuficiência renal, por exemplo;, argumenta.

Os dilemas, porém, são frequentes entre os pais. ;Eu fiquei com medo, pois me falaram que, se a criança fizesse musculação, não cresceria;, ilustra Joana D;Arc Braga, mãe de Mariana,14 anos, e Luís Felipe, 16. Os irmãos praticam musculação em uma academia no Guará II.

A popularização desses mitos pode ser baseada na seleção natural do esporte. Um exemplo é a baixa estatura entre atletas de ginástica olímpica ; como Daniele Hypólito e Daine dos Santos, com 1,46m de altura média. ;Quem é mais baixo tem vantagem com o centro de gravidade mais perto do chão. A maioria que está no ápice do esporte é de pequenos, mas a pessoa não deixou de crescer porque fez ginástica;, explica Renata Elias.

A maior parte dos atletas profissionais de uma mesma modalidade apresentam características corporais semelhantes, como demonstram os jogadores de basquete, com estatura elevada. Indivíduos altos têm facilidade em alcançar as cestas nos jogos, e, por isso, acabam se destacando em ligas profissionais. Assim como no vôlei, em que a maioria dos jogadores chama a atenção pela altura.

Embora o profissionais de determinadas modalidades tenham características semelhantes, o esporte não exclui pessoas com perfis físicos diferentes. ;A atividade física é inclusiva, todos têm condições de praticá-la e de se adaptar;, sustenta o fisiologista do exercício Alexandre Bastos.

Preferência

A presidente do Conselho Regional de Educação Física (DF), Cristina Calegaro, também crê que não existe um biótipo específico para a prática de um esporte. O que se deve levar em consideração é a preferência na escolha da atividade de cada indivíduo. ;Primeiro, a pessoa tem de gostar do que está fazendo. Isso é o básico para qualquer uma. Todos os esportes são completos;, afirma.

Pode-se dizer que, em nível profissional, não é o atleta que escolhe o esporte: é o esporte que escolhe o atleta, de acordo com as características físicas que melhor se adequam a cada atividade. Contudo, a fim de que não haja nenhum problema na prática de esportes por crianças, é recomendável acompanhamento profissional. As atividades não influenciam no crescimento da criança, mas podem causar lesões se forem feitas de forma errônea ou exagerada.




"Primeiro, a pessoa tem de gostar do que está fazendo. Isso é o básico para qualquer uma;

Cristina Calegaro,
presidente do Conselho Regional de Educação Física



"As únicas coisas que influenciam o crescimento são a desnutrição grave e doenças, como a insuficiência renal, por exemplo;

Renata Elias,
doutora em ciência da saúde



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