O Brasil invade Paris

O Brasil invade Paris

Vanessa Aquino
postado em 17/03/2015 00:00
 (foto: Oswaldo Reis/Esp.CB/D.A Press - 16/4/12)
(foto: Oswaldo Reis/Esp.CB/D.A Press - 16/4/12)







O Brasil tem sido tema recorrente em feiras internacionais de livros. Recebeu homenagem na Feira de Frankfurt, em 2013 ; maior salão de negócios do mercado literário ; e, no ano passado, em Bolonha, na Itália, onde recebeu destaque quando Roger Mello ganhou o Hans Christian Andersen. Desta vez, o país será celebrado na França, no Salão do Livro de Paris, que ocorre de 20 a 23 de março.

Com uma delegação de 43 escritores, o desafio do Brasil é manter resultados sólidos, com traduções e publicações cada vez mais frequentes em outros países, diante da crise econômica. Porém, mesmo que editores e agentes estejam temerosos com uma provável diminuição do orçamento do Ministério da Cultura, a seleção de autores mostra a literatura brasileira em expansão, sobretudo no que diz respeito ao destaque de escritores contemporâneos no mercado editorial.

De acordo com o Minc, as escolhas dos escritores obedecem os seguintes critérios: autores com obras traduzidas para o francês; equilíbrio na seleção ; incluindo novos e consagrados; abrangência de diversos gêneros literários; diversidade editorial; oportunidade igual para homens e mulheres; e produções com diversidade étnica e cultural de profissionais de várias regiões do país.

Entre os nomes que integram a comitiva brasileira, estão os experientes Fernando Morais, Ana Miranda, Affonso Romano Sant;Anna, Nélida Pinõn, Luiz Ruffato, Marina Colasanti, Cristovão Tezza, Milton Hatoum e Adauto Novaes. Mas os nomes de jovens autores, tais como Ana Paula Maia, Carola Saavedra, Tatiana Salem Levy e Daniel Galera, consagram a força da nova literatura brasileira no mercado editorial.

Dois escritores indígenas também compõem o grupo. Daniel Mundukuru e Davi Kopenawa levam a voz dos povos indígenas a Paris. Daniel, autor de O livro é um passeio pela alma ancestral, representa em suas obras a inquietação de quem aprendeu a observar o mundo por olhos dos antepassados. Já o yanomami Davi Kopenawa, considerado a mais importante liderança indígena do Brasil, é mais conhecido fora do próprio país. A biografia A queda do céu, escrita em conjunto com Bruce Albert, foi publicada originalmente em francês e tornou-se best-seller na Europa.

Os curadores do evento são Guiomar de Grammont, escritora e idealizadora do Fórum das Letras de Ouro Preto, que também participou da seleção, e Leonardo Tonus, professor de literatura na Université Paris-Sorbonne e nomeado Conselheiro Literário junto ao Centre National du Livre para o Salão do Livro de Paris em 2015.

Para a presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Karine Pansa, a homenagem no Salão do Livro de Paris não é um fato isolado. O Brasil tem investido cada vez mais na internacionalização da cultura e está sendo reconhecido por outros países. Ela citou as recentes homenagens recebidas na Feira do Livro de Frankfurt, Alemanha; na Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, Itália, entre outras.



43
Quantidade de escritores da delegação brasileira no Salão do Livro de Paris

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