Obama mantém as críticas a Bibi

Obama mantém as críticas a Bibi

Presidente dos Estados Unidos adia os cumprimentos ao premiê vitorioso, mas reitera divergências. França insiste na necessidade de estabelecer o Estado palestino

postado em 19/03/2015 00:00
 (foto: Ahmad Gharabli/AFP)
(foto: Ahmad Gharabli/AFP)



Duas semanas depois do polêmico discurso do premiê israelense no Congresso dos Estados Unidos, políticos republicanos foram os primeiros americanos a parabenizar Benjamim Bibi Netanyahu pela vitória nas urnas. O presidente Barack Obama, que não escondeu o desconforto com a visita do governante aliado a Washington, poucos dias antes das eleições, não havia felicitado o premiê até a noite de noite, mas deve telefonar para Bibi nos próximos dias, segundo o porta-voz Josh Earnst. Em comunicado, a Casa Branca criticou a ;retórica divisiva; do líder direitista, em especial contra os árabes-israelenses.

Ao longo da campanha, o premiê acusou os EUA de patrocinarem a oposição para derrotar seu partido, o direitista Likud. Após Netanyahu alertar simpatizantes de que cidadãos árabes estavam sendo levados aos centros de votação e que isso ameaçava o ;campo nacional; ; referência aos aliados religiosos e de ultradireita, Earnst expressou o desagrado da Casa Branca. ;Essa retórica que busca marginalizar um segmento da população (de Israel) é muito preocupante e divisiva, e essa é uma visão que o governo (de Obama) pretende comunicar diretamente aos israelenses;, disse o porta-voz.

A vitória de Bibi deve dificultar ainda mais as relações de Israel com importantes aliados. Durante os três mandatos, o premiê se indispôs com vários líderes mundiais, mas nenhum caso foi tão grave quanto o mal-estar com Obama. A imprensa israelense mencionou ontem o ;desapontamento; da Casa Branca com a provável permanência de Netanyahu, que, no discurso ao Congresso americano, torpedeou o acordo nuclear em negociação entre EUA e Irã. O Departamento de Estado americano destacou que o processo não será afetado pela vitória de Bibi.

Por comunicado, o chanceler francês, Laurent Fabius, foi direto ao ponto e cobrou do novo governo israelense ;negociações com vistas a um acordo de paz global e definitivo; e reafirmou a posição de Paris em favor do Estado palestino. A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, felicitou o premiê, mas também destacou a necessidade de uma solução diplomática para o conflito. ;Estamos em um momento crucial, com muitas ameaças em todo o Oriente Médio. A UE apoia incondicionalmente uma solução pacífica do conflito israelense-palestino, no interesse de ambos, assim como da região;, defendeu Mogherini, em nota. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, reagiu no mesmo tom. Segundo um porta-voz, Ban ;acredita firmemente que esse é o melhor e o único caminho para que Israel continue sendo um Estado democrático;.

A Autoridade Palestina anunciou que pretende processar Israel no Tribunal Penal Internacional (TPI), por supostos crimes cometidos na Faixa de Gaza. Na terça-feira, o chefe dos negociadores palestinos, Saeb Erakat, prometeu ;acelerar, continuar e intensificar; os esforços diplomáticos contra Israel.

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