Loteamentos por todo o DF

Loteamentos por todo o DF

O Correio visitou algumas das ocupações mapeadas pela Agefis e constatou o crescimento da maioria, fato comum quando há troca de governo. Apesar de serem alvo de ações judiciais e policiais, invasores insistem em permanecer

» KELLY ALMEIDA » MATHEUS TEIXEIRA
postado em 19/03/2015 00:00
 (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)

Em qualquer região administrativa do Distrito Federal há barracos sendo erguidos ou demarcações para o início de novas construções. Todas irregulares e em áreas particulares, públicas, de proteção ambiental ou destinadas a programas habitacionais. O Correio percorreu algumas das grandes ocupações da capital ; entre elas, as mapeadas pela Agefis ; e detectou que a situação tem se agravado desde o ano passado, apesar de o governo ter afirmado que não vai permitir invasões no DF. Em algumas áreas, os piquetes prenunciam a construção de imensos condomínios.

Próximo à Torre Digital, uma imensa área verde, afastada do centro da cidade, sem barulho de carro, chama a atenção. Acordar ao som dos pássaros, a menos de 25km do Plano Piloto, ao lado da DF-440, é o sonho de muita gente. O Condomínio Bougainville está, na verdade, numa área pública, de propriedade da Agência de Desenvolvimento do DF (Terracap). A invasão começou em 2006 e já foi alvo de ação judicial e operação da Polícia Civil. Nunca, porém, houve uma derrubada definitiva do local. Os grileiros, então, aproveitaram a última troca de governo para agir novamente. As casas, que eram, no máximo, 10 até o meio do ano passado, agora já passam de 30. ;O local andava meio parado. Mas construíram várias novas residências nos últimos meses;, confessa um morador que não quis se identificar.

E não é à toa a insistência dos grileiros na região. Em julho de 2012, quatro pessoas foram presas negociando lotes no condomínio. Segundo cálculos da polícia, os criminosos dividiram a área em 330 lotes de 600m; a 800m;. Caso todos fossem vendidos, a quadrilha arrecadaria cerca de R$ 20 milhões. Na época, inclusive, o Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) julgou irregulares todos os contratos referentes à comercialização de lotes no Bougainville e determinou que o responsável pelo parcelamento irregular, Clinton Campos Valadaresa, devolvesse o dinheiro a todos os compradores. O espaço faz parte da Área de Proteção Ambiental do Rio São Bartolomeu.

Fora a Nova Jerusalém, no Sol Nascente, em Ceilândia, onde o governo demoliu 400 barracos construídos nos últimos oito meses, o Correio denunciou outras duas invasões recentes na cidade, que concentra a maior favela da América Latina. Uma, na Guariroba, é uma área de 60 hectares que foi doada pelo GDF a 23 famílias agrícolas no fim do ano passado. Quando chegaram ao local, contudo, os assentados foram recebidos por grileiros, que tomaram uma parte do terreno.

Irredutíveis, os criminosos não saíram do espaço e as famílias acionaram a Polícia Civil. Enquanto o Estado não resolve a situação, eles esperam para receber integralmente a área, destinada à moradia e ao cultivo de hortaliças. Quando integrantes da Secretaria de Agricultura estiveram no local, semanas atrás, os trabalhadores que parcelavam o lote afirmaram que se tratava de ;uma área do juiz Roberto, chacareiro da região;. A informação, porém, não procede, pois o terreno é do governo.

A outra, na quadra 702 do Condomínio Pôr do Sol, também em Ceilândia, foi alvo de três ações da Agefis ; a última em outubro passado. Em menos de seis meses, porém, as casas foram levantadas novamente. Os moradores afirmam que não há mais grileiros na região e criticam a ação do GDF. Segundo um morador do local, que não quis se identificar, a maioria comprou os lotes das mãos de grileiros em 2012. ;Dei meu carro em troca. Paguei R$ 30 mil. Mas os criminosos fugiram e nunca mais voltaram. Agora, só restam famílias aqui;, conta.



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