MISÉRIA POUCA...

MISÉRIA POUCA...

Ao anunciar a assinatura de Medida Provisória pela presidente Dilma, ministro do Esporte conta que ouviu muito drama de cartolas. Chegaram até a dizer que o Brasileirão deste ano nem seria disputado

Marcos Paulo Lima
Marcos Paulo Lima
postado em 19/03/2015 00:00
 (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil - 25/7/14)
(foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil - 25/7/14)



Quando assumiu o Ministério do Esporte, George Hilton foi sincero ao admitir que não conhecia a pasta. Três meses depois, parece graduado em conversa fiada de cartola. Ontem, em um encontro com o Grupo de Líderes Empresarias (Lide), num hotel da cidade, o mineiro demonstrou com expressão facial de reprovação que não se comoveu tanto com o discurso oportunista de dirigentes que passaram pelo gabinete tentando driblá-lo. Ele ouviu ameaças exageradas ao longo da formatação da Medida Provisória que será anunciada hoje, às 10h30, pela presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, para refinanciar as dívidas dos clubes. Uma dessas chantagens seria a não disputa da Série A em 2015.

;A dívida, hoje, chega em torno de R$ 4 bilhões. Com um certo exagero, compreensível, os clubes chegaram para mim e disseram: ;olha, ministro, se não houver uma ação imediata, o Campeonato Brasileiro de 2015 está ameaçado de não acontecer. Isso foi dito não só pelos clubes da Série A;;, contou, mineiramente desconfiado, a uma plateia de empresários. ;Isso despertou em nós a necessidade de dar um basta nesse círculo vicioso de financiamento sem contrapartidas claras. Vai ser u marco na história do futebol brasileiro;, confia George Hilton.

O texto foi apresentado ontem aos presidentes do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello; do Santos, Modesto Roma Júnior; e do Vasco, Eurico Miranda. Outros clubes enviaram representantes. A MP prevê punições esportivas para quem não mantiver em dia os parcelamentos dos débitos fiscais ou os salários dos jogadores. Os times terão de apresentar a Certidão Negativa de Débito (CND) antes dos campeonatos, a fim de comprovar regularidade fiscal, e terão obrigação de publicar documentos que atestam salários em dia.

Prazo


A expectativa no evento de hoje é pelo anúncio de um órgão responsável por estabelecer as punições. O fiscalizador pode ser criado pela Confederação Brasileira de Futebol, ou o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) ; desejo da CBF. O Ministério do Esporte terá o poder de excluir os clubes do parcelamento em caso de descumprimento. O rombo será parcelado em 240 meses com reajuste regulamentado pela Selic ; taxa básica de juros.

A assinatura da MP pela presidente Dilma torna o texto válido após a publicação no Diário Oficial da União. A MP tramitará na Câmara e no Senado. Pode receber emendas e até ser rejeitada pela bancada da bola. ;Acredito que está agradando à maioria. O prazo de 240 meses era o que estávamos postulando, e os três anos de transição estão sendo desenhados de maneira que ninguém saia prejudicado. Claro que tem coisas que podem ser aperfeiçoadas no futuro. Tem detalhes que estão sendo discutidos. Mas não acredito que possa ser um empecilho para a assinatura. Depois, a MP vai para a Câmara e para o Senado e pode ser ajustada. Isso faz parte do sistema democrático;, disse o presidente rubro-negro, Eduardo Bandeira de Mello, em entrevista ao globoesporte.com.


"Com um certo exagero, compreensível, os clubes chegaram para mim e disseram: ;olha, ministro,
se não houver uma ação imediata, o Campeonato Brasileiro de 2015 está ameaçado de não acontecer;;

George Hilton,
ministro do Esporte

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