Adirley Queirós em Harvard

Adirley Queirós em Harvard

postado em 19/03/2015 00:00

Mês passado, soube do convite de Adirley a Harvard e ao Lincoln Center em Manhattan. Essas notícias me alegraram muito. Adirley veio a Harvard na segunda semana de março, a convite de dois professores do Sensory Ethnography Lab que tinham assistido Branco sai, preto fica em festivais de cinema mundo afora. Ambos ficaram impressionados com o filme. Já que a vinda de Adirley foi marcada em cima da hora, houve uma exibição fechada de Branco sai, preto fica para os alunos de um curso de documentário.

Felizmente, participei de dois instigantes encontros entre Adirley, alunos e professores. Conversar sobre cinema e política com Adirley é inspirador porque possui um discurso raro e poderoso. Até onde percebi, ele passou bem em Harvard. Apesar de eu não ter tido a oportunidade de falar muito com os alunos após ambos encontros, não cabe dúvida que gostaram muito do filme.

O que talvez mais tenha me chamado a atenção, foi o que Adirley me contou sobre a experiência dele na 12; edição do festival de cinema de não ficcão True/False em Columbia, Missouri. Imagine você ser encarregado de fazer tradução simultânea de Branco sai, preto fica para Adirley, levando em conta que se destina a um público majoritariamente branco com um pequeno grupo de negros juntos.

Como você traduziria a fala conscientemente antimediana do Adirley? E o que isso diria sobre sua subjetividade política? Há uma citação genial da saudosa escritora afro-americana Zora Neale Hurston (1891-1960) que gosto de evocar de vez em quando, e que é assim: ;Se você não tem, não pode mostrar. Se tem, não consegue esconder.; Adirley Queirós não consegue esconder.



Doutor em estudos luso-brasileiros pela Universidade Brown, Stephen Bocskay é, atualmente, pesquisador em Harvard


;O povo tá tomando a consciência e tá ficando mais esperto: somos nós mesmos que estamos tomando atitudes;
Marquim do Tropa, rapper e ator de Branco sai, preto fica

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