Perspectivas pioram para 2016

Perspectivas pioram para 2016

DIEGO AMORIM
postado em 31/03/2015 00:00

Não bastasse 2015 já ser considerado um ano perdido para a economia brasileira, as expectativas para o ano que vem têm piorado. Na avaliação do mercado financeiro, o mau desempenho da atividade persistirá. Ontem, o Boletim Focus, do Banco Central, com a mediana das opiniões de 100 analistas, rebaixou pela quarta vez consecutiva a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2016, agora em 1,05%.

As estimativas, que iniciaram o mês em alta de 1,5% do PIB para o próximo ano, caíram depois que os indicadores do primeiro trimestre confirmaram um cenário complicado. Mesmo com o conjunto de medidas fiscais alardeado pelo governo, a retomada do crescimento passou a ser vista com mais desconfiança.

Para este ano, os economistas vislumbraram, pela primeira vez, uma retração de 1%: seria o pior resultado em 25 anos ; em 1990, o PIB encolheu 4,35%. Em comparação com a semana anterior, a aposta para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aumentou de 8,12% para 8,13%. Para 2016, a expectativa do custo de vida teve leve queda: 5,61% para 5,60%.

Mesmo com a recessão, a projeção para a Selic (taxa básica de juros) ao fim deste ano cresceu de 13% para 13,25%. Ajudam a explicar a elevação dessa aposta a pressão inflacionária persistente, o repasse cambial para a inflação e o ajuste dos preços administrados. Para 2016, a estimativa foi mantida em 11,50% ao ano. Já a cotação do dólar saiu de R$ 3,15 para R$ 3,20 em 2015, ficando em R$ 3,23 no fim de 2016.

As incertezas têm justificado o pessimismo do mercado, disse o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luis Otavio de Souza Leal. ;O grande problema é que a gente olha para frente e vê a possibilidade de a situação piorar;, diz. Os desdobramentos dos embates políticos, segundo ele, contribuem de maneira significativa para a piora nas percepções.

Para o economista Ítalo Abucater, da ICAP Corretora, as projeções para 2016 tendem a se deteriorar mais ao longo deste ano. ;O Focus ainda está otimista. Há muitas variáveis em aberto, e a sensação é que, para melhorar, o cenário terá de piorar mais;, sublinhou.

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