Copiloto tinha tendência suicida

Copiloto tinha tendência suicida

Procurador revela que Andreas Lubitz se submeteu a tratamento antes de iniciar a carreira. Identificação de corpos pode durar até quatro meses

postado em 31/03/2015 00:00
 (foto: Claude Paris/AFP)
(foto: Claude Paris/AFP)



A Justiça alemã revelou ontem que o copiloto Andreas Lubitz, suspeito de ter provocado a queda do Airbus 320 da Germanwings, na semana passada, recebeu tratamento para controlar propensões suicidas. A informação vai ao encontro de relatos de que Lubitz sofria de depressão e de outros transtornos psicológicos. De acordo com o procurador público de Düsseldorf, Christoph Kumpa, o alemão foi tratado ;por o que foi documentado como tendências suicidas;. Não foi divulgado o exato momento em que ele recebeu o tratamento, mas Kumpa ressaltou ter sido antes de Lubitz se tornar piloto de avião. Segundo o procurador, o funcionário da Germanwings continuou a se consultar com psicólogos e não apresentava ;sinais suicidas ou de agressividade documentados;.

Nos últimos dias, publicações internacionais revelaram que o copiloto teria um problema de visão, provavelmente um deslocamento de retina, que pode ter complicado seu quadro emocional. Lubitz sonhava ser piloto de voos de longa distância na companhia aérea Lufthansa, da qual a Germanwings é uma subsidiária de baixo custo. O aumento de evidências de que ele teria deliberadamente provocado a morte das 150 pessoas a bordo do avião que se chocou contra os Alpes franceses, exatamente uma semana atrás, provocou um debate sobre normas de segurança e de sigilo médico.

Diversas companhias começaram a exigir que ao menos dois funcionários permaneçam na cabine de comando durante todo o voo. A tragédia também levantou discussões sobre a flexibilização do sigilo médico na Alemanha, depois que autoridades confirmaram que Lubitz não tinha condições de voar e que teria jogado fora um atestado médico que o dispensava do trabalho. Diante da defesa de vários políticos por mudanças nas normas, o presidente da Câmara Federal dos Médicos, Frank Ulrich Montgomery, destacou que ;o sigilo médico é tão precioso para o médico quanto para o paciente, e é garantido pela Constituição como um direito humano;.

Vítimas
Ontem, pela primeira vez, investigadores que participam das buscas por materiais que possam ajudar na identificação das vítimas conseguiram chegar ao local da queda por terra. Uma estrada foi construída para facilitar o trabalho de resgate, que até então era feito exclusivamente por ar. A busca nos Alpes é extremamente complicada. Em consequência do choque, o avião ficou completamente destruído ; os maiores destroços do Airbus 320 têm o tamanho de metade de um carro, segundo membros da equipe. Até o fim de semana, pelo menos 78 amostras diferentes de DNA foram recolhidas no local. Elas serão comparadas com o material genético de familiares dos 150 mortos.

O chefe do Instituto Forense francês, François Daoust, avisou que o resultados dos testes pode demorar até quatro meses. ;Dependendo do número de partes de corpos encontrados, o prazo pode flutuar entre dois meses, pelo menos, e quatro;, disse ele ao jornal alemão Bild. ;É melhor trabalhar com o ritmo da ciência do que com pressa e correr o risco de errar;, explicou.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação