A importância de se ajustar

A importância de se ajustar

postado em 31/03/2015 00:00
 (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press -  2/2/15 )
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press - 2/2/15 )



Há oito anos, as chances de trabalho trouxeram Cristiane Zardini, 37 anos, para a capital do país. Juntaram-se com o fato de ser a cidade em que morava o namorado. Ainda assim, a enfermeira de Uberlândia não coloca Brasília na sua lista de lugares ideais. ;Não gosto muito, mas vou me adaptando. Eu vejo que é um local de oportunidades. Por isso, vim e fiquei, mas nunca me apaixonei;, diz.

O que mais incomoda a enfermeira é o contato entre os moradores. ;Eu sou mais grudada com a minha família e não sinto isso aqui. As pessoas se encontram mais na rua, em bares, na pizzaria. Não vejo muitas festas em casa, com a família. Cristiane sente as consequências de não ter criado um vínculo com a cidade. ;Sinto-me mais ansiosa, com saudade da família. É quando me dá vontade de ir para Uberlândia, recarregar as energias.;

Em casa, ela convive com os elogios do agora marido à capital. ;Ele é apaixonado por Brasília. No começo, quando eu ainda criticava a cidade e dizia que aqui não me trazia conforto, ele não gostava muito;, lembra. O casal faz plano de se mudar para um local em que ambos se sintam à vontade. ;Pensamos em João Pessoa. Fui a passeio, a congressos e é um lugar em que me identificaria.;

Coordenador do curso de psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Naim Akel destaca que não se sentir confortável no lugar em que mora realmente faz com que algumas pessoas sejam ;mais propensas a sintomas de angústia, estresse e problemas autoimunes.; Daí a importância de não deixar o desconforto comprometer o dia a dia.

O especialista sugere que as pessoas busquem alternativas na própria cidade. ;Quando mudar não for possível, as relações interpessoais ajudam a encontrar um pouco de segurança, qualidade de vida. Participar de um grupo da vizinhança ou de uma comunidade esportiva, por exemplo, são motivações que acabam compensando um pouco;.

Cristiane esforça-se nesse sentido. ;Vou tentando me adaptar. Enquanto estiver aqui, tento fazer o meu melhor, me dedicando ao trabalho;, diz. Ela aprecia a beleza da cidade e a diversão. ;Gosto de ir ao Pontão, olhar a vista da Ermida. Brasília oferece muita opção de lazer.; Mas envelhecer na capital não faz parte dos planos. ;Ficaria mais um tempo e, depois, passaria a velhice em Uberlândia. Ficar por aqui o resto da vida, não.;

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