Enfim, o renascimento da seleção... inglesa

Enfim, o renascimento da seleção... inglesa

Dunga é exemplo de outra (in)esquecível sequência à frente do time: entre abril e setembro de 2009, o técnico enfileirou 11 vitórias - só uma em amistoso

postado em 31/03/2015 00:00
Inaugurado em 2011, o Estádio da Juventus, em Turim, com capacidade para 41 mil pessoas, serve até hoje como ferramenta para constranger os inexplicáveis valores alcançados pelas arenas brasileiras da Copa. Ao custo de 105 milhões de euros (R$ 240 milhões à época, ou R$ 30 milhões a menos que nosso estádio mais barato), o local deve sediar nova lição ao futebol brasileiro nesta terça-feira ; não que tenhamos aprendido a primeira, sobre preços.

Invictas desde que fizeram jus ao ;aqui jaz; no grupo da morte, Itália e Inglaterra se enfrentam na casa da Juventus, logo mais, às 15h45 (horário daqui). Uma vitória inglesa, por qualquer 1 x 0 inconsistente, gol do Firmino deles que seja, leva a equipe britânica à marca de oito vitórias em oito jogos. Isso: as mesmas oito vitórias da versão 2014/2015 do time de Dunga. Do abraço afogado na Copa do Mundo até a manhã de hoje, os britânicos passaram 100% por Noruega, Suíça, San Marino, Estônia, Eslovênia, Escócia e Lituânia. Marcaram 19 gols, sofreram apenas três. Chato que não haja ninguém alardeando o renascimento do futebol inglês. Preconceito, só pode.

As oito vitórias do Brasil nos amistosos pós-Mundial, por outro lado, parecem mais vistosas. É uma palavra. Conveniente é outra. Até porque convenientes são quaisquer números e percentuais quando se trata de futebol. Quando se trata da vida, vai. ;Não ganhamos nada. Estamos num bom caminho, montando uma seleção competitiva.; E eis um Dunga orgulhoso da (nova) cria. Não é de todo ruim: na melhor das hipóteses, ele ao menos sabe ; ou diz saber ; que não ganhou nada.

Ao mesmo tempo em que se sente, de certo modo, vingado ; até porque Dunga encarna o retorno mais contestado dos 100 anos de Seleção Brasileira ;, ele próprio certamente lembra que é exemplo de outra (in)esquecível sequência à frente do time: entre abril e setembro de 2009, o técnico enfileirou 11 vitórias ; só uma em amistoso ;, com direito a título da Copa das Confederações. E mesmo ali, naquela farra, os únicos renascimentos foram de Josué, Kléberson e André Santos.

Desde que o Brasil passou a ser campeão do mundo, o melhor aproveitamento no comando técnico do país que hoje já tem cinco títulos pertence a Oswaldo Brandão, entre 1975 e 1977: 22 vitórias, três empates e só duas derrotas, com 87,04% dos pontos conquistados. Nem João Saldanha (85,2%), o melhor Telê (84,2%) ou o melhor Zagallo (80,9%) alcançaram tal marca. O único título de Brandão, no entanto, embora tenha comandado a Seleção Brasileira em três oportunidades, foi o Torneio Bicentenário dos Estados Unidos.

A Inglaterra, claro, arrisca perder hoje. Ainda que cambaleante no cargo, Conte pode liderar seus atletas em uma surra incontestável no estádio da Juve. Vale guardar o ingresso do mesmo jeito: assistiremos todos ao renascimento da Azzurra, com seis vitórias e dois empates nos últimos oito jogos ; até porque cada país tem seu jeito único de enxergar resultados e, para os italianos, empate é quase vitória.





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