O talento argentino

O talento argentino

Em entrevista ao Correio, o ator fala sobre o sucesso com o filme Relatos selvagens e os planos para 2015

Maíra de Deus Brito
postado em 31/03/2015 00:00
 (foto: Florencia Moreno/Divulgação)
(foto: Florencia Moreno/Divulgação)

Aos 38 anos, Diego Gentile figura como um dos principais atores argentinos do momento. Com mais de 20 anos de carreira e diversos trabalhos no teatro, no cinema e na televisão, Gentile ganhou projeção internacional com o personagem Ariel, na história Hasta que la muerte nos separe, de Relatos selvagens. No longa do diretor Damián Szifrón ; indicado na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar 2015 ;, ele interpreta um noivo que é desmascarado na noite de casamento. Enquanto todos celebram a nova vida do casal, a noiva descobre uma traição com a colega de trabalho e o evento se torna um caos. A brilhante atuação lhe rendeu uma indicação como ator revelação no Condor de Plata.

Quando e como o teatro entra na sua vida?
Comecei a estudar teatro aos 12 anos, em um centro cultural, perto da casa onde morava. Aos 13, fui estudar com Agustin Alezzo, um diretor e professor de teatro muito importante daqui. E, aos 17, apresentei meu primeiro espetáculo e não parei mais. Encenava uma peça por ano, enquanto ensaiava outra. Em 2008, cheguei a fazer cinco trabalhos de uma vez: corria de um teatro para outro e tinha dias que trabalhava em três funções diferentes. Era uma loucura genial! Um esgotamento feliz (risos).

Qual foi o primeiro trabalho no teatro?
O primeiro espetáculo em que trabalhei foi com meus companheiros da oficina de Alezzo. Depois, atuamos muito no teatro independente, com grandes diretores, como Daniel Veronese, Pablo Messiez, Ines Saavedra, Lorena Romanin, Javier Daulte e Ruben Szuchmacher. Viajei por muitos países da América Latina com essas montagens.

Você também tem muitos trabalhos na televisão;
Foram muitas participações. Por exemplo: Amas de casa desesperadas; S.O.S mi vida; Malparida; Herederos de una venganza; Son cosas de novela; e Poliladron. Nas novelas Nini e Sres. Papis atuei do começo ao fim. Sou feliz fazendo tevê. Me diverte muito.

Onde você prefere atuar:
teatro, cinema ou tevê?
Não posso escolher;Gosto muito das três coisas. A expressividade do cinema é muito diferente do teatro e da televisão. Cada âmbito requer uma energia diferente e eu gosto de jogar com esse leque de diferentes energias.
Na novela Sres. Papis você interpreta
Benicio, que é gay. Como o público
recebeu o personagem?
Benicio foi muito bem recebido por todo público. Aqui, está sendo comum ver personagens gays homens e mulheres nas ficções. Sres. Papis é uma novela que foi vista por toda família e, durante o ano em que ela foi exibida, nenhuma criança me questionou nada sobre a sexualidade do Benicio. Na verdade, me indagavam sobre os valores que o personagem tinha, como respeito à amizade, à família e ao amor.

Como você chegou ao elenco
do filme Relatos selvagens?
O diretor (Damián Szifron) testou atores que tinha pensado para o papel de Ariel, porém eles não o convenceram. Szifron pediu um reforço e o diretor de elenco, Javier Braier, pensou em mim. Me convidaram para fazer o teste de elenco enquanto eu estava fazendo a temporada de verão em La Costa (Argentina). Depois, viajei de férias para a Disney (EUA), quando vi, por e-mail, que tinha sido aprovado e seria o Ariel em Relatos selvagens.

É verdade que, durante as gravações,
você não encontrou com Ricardo Darín?
O longa foi filmado como episódios diferentes e, por isso, não nos cruzamos. Só encontrei Darín na estreia e ele me parabenizou pelo meu trabalho. Darín é um grande ator, com muita sensibilidade, e com quem gostaria de trabalhar. Eu o admiro muito.

Relatos selvagens foi o filme mais visto na Argentina em 2014 e recebeu indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
A que se deve tanto sucesso?

Creio que as pessoas se identificam com os personagens. Isso, somado ao humor negro, é a chave do sucesso. Além disso, os profissionais que participaram do filme são perfeitos! (risos)

A atuação em Relatos lhe rendeu uma indicação como ator revelação no prêmio Condor de Plata;
É um carinho no ego ter uma premiação como essa. É o reconhecimento do público. As pessoas se comovem com o filme e com a história do casamento (um dos seis episódios do longa): elas riem e se emocionam. É uma viagem o que o espectador faz com os personagens.

Como você vê o atual cinema latino-americano?
Acredito que esteja se abrindo uma boa indústria no cinema latino-americano e há muito talento. Por exemplo, em todos os festivais internacionais sempre há bons representantes da América Latina.

Quais são os projetos para 2015?
Estou fazendo o quinto ano de um sucesso teatral Toc toc, que é uma comédia sobre o transtorno obsessivo compulsivo (TOC); o monólogo Matar cansa, sobre um admirador fanático de um assassino serial; e gravando Todos comen, uma minissérie para a tevê.

Você acompanha a produção do cinema e do teatro brasileiro?
Amo o Brasil, Rio de Janeiro, São Paulo;Gosto muito do cinema brasileiro e de outros países da América Latina, porém ainda não consegui acompanhar o teatro daí. Farei isso em breve! Aqui, na Argentina, as novelas brasileiras são grandes produções e fazem sucesso. Quando posso e estou em casa, assisto. Gostaria de fazer uma novela aí!

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