Renata Sorrah retorna aos palcos

Renata Sorrah retorna aos palcos

Atriz dá uma pausa da tevê para se dedicar ao teatro. A artista está atualmente em cartaz com a peça Krum, que deve passar por Brasília ainda este ano

Adriana Izel Enviada especial
postado em 31/03/2015 00:00
 (foto: Oi Futuro/Divulgação)
(foto: Oi Futuro/Divulgação)

Rio de Janeiro ; Após uma participação conturbada na novela Geração Brasil no ano passado, Renata Sorrah, 68 anos, resolveu voltar a se dedicar inteiramente ao teatro. A atriz, com 40 anos de experiência, considera os palcos uma segunda casa. ;É vivo, não é? Acho que, hoje em dia, é cada vez mais um produto que você oferece para as pessoas e elas te dão algo de volta. É uma coisa generosa que a gente não tem muito no mundo. O teatro é o que há de mais moderno;, define a carioca em entrevista ao Correio.


Desde 12 de março, Renata está em cartaz com o espetáculo Krum, de Marcio de Abreu, da Companhia Brasileira de Teatro de Curitiba. A peça estreou primeiro no Rio de Janeiro, onde foi encenada até o último dia 26 no Oi Futuro Flamengo, sempre com sessões lotadas. Agora segue para Curitiba, onde ficará de 1; de abril até 31 de maio. A próxima parada da trupe é São Paulo de 12 de junho até 27 de julho. Ainda não há previsão de estreia em Brasília.

Jeitinho paranaense
Essa é a segunda parceria da artista com a Companhia Brasileira de Teatro de Curitiba. A primeira ocorreu em 2012 com o espetáculo Esta criança, que chegou a capital federal em outubro do mesmo ano. ;Depois do Esta criança me considerei parte da companhia. Quando o Marcio (de Abreu, diretor da Cia) me mostrou o roteiro de Krum, pensei: ;É sensacional, esse texto é bacana;;, lembra a atriz.
Renata Sorrah interpreta Truda na nova peça da companhia, a inocente mulher apaixonada pelo protagonista Krum, vivido pelo ator Danilo Grangheia.
A atriz conta que antes de viver Truda interpretou outras papéis da trama nos ensaios. ;O Marcio propôs que começássemos a ensaiar todo mundo fazendo todos os personagens. Então, nunca pensei em fazer a Truda. Era bacana você ver o colega interpretando diferentes papéis, foi uma forma de aprender mais sobre os personagens;, explica. Renata ainda revelou que a ideia era que a companhia se revezasse nas interpretações, no entanto, essa ideia inicial não deverá seguir para os espetáculos.

Tragicomédia
A peça, que é um misto de drama e comédia, é baseada no texto homônimo do dramaturgo israelense Hanoch Levin, morto em 1999. A adaptação dirigida por Marcio de Abreu gira em torno de Krum, um jovem que viajou para o exterior e voltou para sua casa na periferia de mãos vazias, sem experiências, sem amores e sem presentes para a família e amigos. Na verdade, o retorno do confuso Krum é o mote para mostrar os descontentamentos de todos os outros personagens da trama, que vivem uma vida cheia de frustrações como Tugati (Ranieri Gonzalez), o amigo hipocondríaco e a melhor amiga de Truda (Inez Viana), que sonha em arranjar um marido.


;Para mim é um espetáculo importante neste momento porque fala sobre o ser humano e isso será sempre atual. Quando você fala sobre a condição humana e sobre pessoas, ainda mais esse tipo de pessoa cotidiana, é algo que interessa e me interessa muito;, completa.

Amor pelo teatro
A carreira de Renata Sorrah é dividida entre atuações na televisão e no teatro. Mas é no palco que a atriz se sente mais à vontade. No passado, a carioca chegava a atuar nas duas vertentes ao mesmo tempo. Hoje, ela diz que não tem mais pique para isso. ;Antigamente, quando eu era mais moça, conseguia conciliar. Mas depois começou a ficar difícil. Hoje penso que é melhor fazer uma coisa e depois outra. Porque você se dedica melhor;, afirma. Por enquanto, a atriz não tem previsão de voltar a atuar na tevê.


E quando tem que escolher, Renata prefere o teatro. Foi lá que a atriz começou sua carreira, ainda quando vivia nos Estados Unidos, onde estudou arte dramática. No retorno ao Brasil, em 1967, integrou a companhia do Teatro Universitário Católico. O grande público a conhece pelas atuações na televisão como Helena Roitman, em Vale tudo (1988), e Nazaré Tedesco, em Senhora do destino (2004).


Para a artista, é responsabilidade dos atores levarem os espetáculos para fora do eixo Rio-São Paulo. ;Com Esta criança começamos a viajar para atuar em festivais e lugares pequenos, mas a gente pensava: ;temos que ir;. O cachê às vezes era ganhando quase nada. Mas era um prazer tão grande porque a gente estava cumprindo aquilo que é o ator tem que levar para as pessoas;, defende. Ela acredita que as companhias precisam insistir no teatro. ;É tão bom aproveitar quem está interessado (em assistir as peças) e se comunicar com essas pessoas. Eu, particularmente, adoro;, completa.

A repórter viajou a convite da Oi
www.correiobraziliense.com.br
Ouça trechos da entrevista
com Renata Sorrah.

Crise
Renata Sorrah interpretava Gláucia Beatriz Pacheco Marra na novela Geração Brasil. Na época, surgiram rumores de que a atriz estaria insatisfeita com a baixa participação de sua personagem no folhetim. Além disso, a trama também não estava fazendo sucesso com o público e amargou uma das piores audiências das novelas das 19h na Rede Globo.

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