Petrobras contradiz Dilma

Petrobras contradiz Dilma

Estatal informa à Comissão de Valores Mobiliários que ainda não definiu a data de publicação dos balanços do terceiro trimestre e do ano de 2014. Presidente havia afirmado que demonstrativos sairiam até o fim de abril

» VERA BATISTA
postado em 03/04/2015 00:00
 (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press-13/10/11)
(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press-13/10/11)

A Petrobras contradisse ontem a presidente Dilma Rousseff, que havia assegurado que a empresa publicaria, até o fim de abril, os balanços do terceiro trimestre e do ano de 2014. Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula e fiscaliza o mercado de capitais, a estatal afirmou que ainda não há ;data definida; para a divulgação das demonstrações financeiras.

Segundo a petroleira, os trabalhos do comitê especial e das áreas da companhia envolvidas na elaboração dos balanços estão em andamento. ;A Petrobras trabalha para disponibilizar as demonstrações o mais breve possível. No entanto, ainda não há data definida para a divulgação;, assinalou a companhia.

É grande a expectativa em torno dos balanços da Petrobras, sobretudo por causa dos impactos da corrupção descoberta pela Operação Lava-Jato no caixa da companhia. Responsável pela auditoria das demonstrações financeiras da estatal, a PricewaterhouseCoopers (PwC) se recusou a ratificar os números por causa da roubalheira que se identificou na maior empresa do país.

Diante das dúvidas se os balanços pendentes virão ou não com os dados da corrupção, a Petrobras informou ;que está avaliando o tratamento contábil adequado para os pagamentos indevidos identificados no âmbito das investigações relativas à Operação Lava-Jato;. A partir daí, definirá quais procedimentos usará para fazer os ajustes nas demonstrativos contábeis do terceiro trimestre e do ano de 2014, revisadas pelos auditores.

A Petrobras tem prazos legais para tornar públicas as demonstrações financeiras. Se até o fim de junho os balanços não saírem, os credores internacionais poderão cobrar, antecipadamente, o que emprestaram à empresa, que está com o caixa debilitado. Da dívida total, de R$ 331,7 bilhões ; valor fechado até 30 de setembro de 2014 ;, cerca de 70% são em moeda estrangeira.

A empresa, por sinal, enfrenta uma série de processos nos Estados Unidos. Os investidores que compraram ações da companhia na Bolsa de Nova York alegam que perderam quase tudo o que tinham por causa das denúncias de corrupção, que derrubaram os preços dos papéis. Ontem, as ações preferenciais (PN) da companhia registraram alta de 5% e as ordinárias (ON), de 5,15%

Produção de petróleo recua
A produção de petróleo do Brasil caiu pelo segundo mês consecutivo em fevereiro, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Foram produzidos, na média, 2,431milhões barris de óleo por dia (bpd), queda de 1,5% ante janeiro. Essa queda só confirma as dificuldades pelas quais passa a empresa depois que se tornou público o esquema de corrupção que desviou bilhões de reais da companhia por meio do superfaturamento de obras. Na áreas do pré-sal, especificamente, forma extraídos, em fevereiro, 656,8 mil barris por dia de óleo e 24,2 milhões de metros cúbicos diários de gás. A produção se deu em 45 poços. O que mais preocupa os especialistas é como a estatal manterá os investimentos na extração de petróleo em áreas tão profundas estando com o caixa debilitado.

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