Corrente do bem

Corrente do bem

Campanha nas redes sociais ajuda a encontrar doadores compatíveis com pacientes que aguardam um transplante de medula óssea. No Distrito Federal, 25 mil pessoas estão inscritas no cadastro do Hemocentro. Quanto maior o número, mais chances de salvar vidas

MARIANA LABOISSIÈRE
postado em 03/04/2015 00:00
 (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press

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(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press )


Um gesto de amor e solidariedade tem poder multiplicador. E, muitas vezes, é capaz de transformar a realidade de um conjunto de pessoas. Com a popularização das redes sociais, blogs e outras mídias, atos como esses ganham repercussão inimagináveis. É o caso da campanha #tamojuntomichel, que atingiu patamar internacional e ajudou o militar Michel Maruyama, 30 anos, a encontrar um doador de medula óssea compatível. A ação resultou em 10 mil cadastros no Registro Nacional de Medula Óssea (Redome), segundo os cálculos da família de Michel, que faz um controle próprio desde o início da campanha. Nos próximos dias, ele deve fazer o transplante que pode salvar sua vida.

Michel não foi o único beneficiado pela campanha abraçada pelo Correio Braziliense. O impacto da luta chegou até o Rio de Janeiro e sensibilizou a dentista Andrea Ays Souza, 40 anos. Com vários casos de câncer na família, ela já havia se cadastrado no Redome, mas a ficha estava desatualizada. Com a campanha de Michel, Andrea não pensou duas vezes ao corrigir os dados. ;Eles estavam completamente desatualizados, pois tinha passado muito tempo, cheguei a me mudar. A ação me despertou. Dois meses depois, recebi o chamado de identificação para doação de medula óssea;, revelou.

Ainda segundo a dentista, a sensação de poder salvar a vida de alguém foi maior do que um eventual medo do procedimento. Ela não teve acesso à identidade do beneficiado, por ser algo mantido em sigilo. Após acompanhamento especializado de profissionais, exames e esclarecimento de dúvidas, Andrea fez a doação. ;Finalmente estava apta e, em fevereiro, aconteceu. Foi muito tranquilo, fiquei pouco mais de uma hora no centro cirúrgico. Doer, doeu um pouco, mas quando pensava no que já passei e no bem que eu estaria fazendo a alguém, tudo zerava;, disse.


A Fundação Hemocentro de Brasília (FHB) é responsável pelo cadastro de possíveis doadores no Distrito Federal. As inscrições para doação de medula óssea na unidade federativa começaram em 2008 (Leia Para Ser Doador). Atualmente, o cadastro local conta com mais de 25,2 mil inscritos e, em 2014, a média de candidatos para as doações foi de 330 pessoas por mês. Contudo, segundo representantes da entidade, não há um número ideal para suprir a demanda. Dados da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO) no Brasil, mostram que cerca de 200 pacientes com doadores compatíveis cadastrados no Redome aguardam vaga para serem transplantados.

A pequena Catarina Melo Maciel, de 6 anos, ainda não achou um doador compatível, mas está na fila para realizar um transplante de medula óssea há 1 ano e 8 meses. Por enquanto, não há sinal transplante, mas a mãe dela, Nádia Melo, 37 anos, não perde as esperanças. Ela interpreta a doação como ;uma ação que divide a vida da morte;, mas reclama da falta de esclarecimento por parte população. Catarina foi diagnosticada com um dos tipos mais agressivos de leucemia (LLAT) e, para a mãe, um ato de amor e solidariedade é a única chance de a filha sobreviver.

Segundo especialistas, pacientes jovens como Catarina têm mais chances de aceitação da medula e de recuperação. ;Doar medula é algo muito especial porque um pedacinho seu dá a chance de alguém sobreviver. É como se o doador fizesse um pequeno papel de Deus na vida do transplantado. Especialmente quando se trata de uma criança, que tem a vida inteira pela frente;, frisou Nádia. ;Por isso, correntes do bem, como a de Michel, entram como aliadas nessa luta, uma vez que, além de conscientizar a população, incentivam. Infelizmente, há muito desconhecimento sobre o processo;, acrescentou.

Facilitador
O Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea (Redome) é um cadastro criado e gerenciado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, para registrar as informações de possíveis doadores de medula óssea. O sistema facilita as buscas de compatibilidade com receptores.

Memória
Nova operação
O Distrito Federal ocupa o quarto lugar no ranking de transplantes de medula por milhão de habitantes. No ano passado, inclusive, uma nova modalidade da operação foi realizada pela primeira vez na unidade federativa. Trata-se do transplante alogênico aparentado, no qual as células não são colhidas do próprio paciente, mas de outra pessoa. A nova modalidade foi testada em 30 de dezembro. A paciente, uma jovem de 18 anos, sofria de anemia aplástica grave, doença que faz com que a medula óssea se destrua e pare de produzir globulos brancos, vermelhos e plaquetas. Ela recebeu a doação da irmã, de 35. A operação foi um sucesso e as duas recuperaram-se bem.

Serviço
Seja um doador

Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos que não tenha doença infecciosa ou incapacitante pode doar medula óssea. A retirada é feita do interior de ossos da bacia, sob anestesia e se recompõe em 15 dias. Os doadores preenchem um formulário com dados pessoais e é coletada uma amostra de sangue de até 10ml para tipagem. Esses testes determinam as características genéticas que são necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente. Os dados pessoais e os resultados dos testes são armazenados em um sistema informatizado que realiza o cruzamento com dados dos pacientes que estão necessitando de um transplante. A chance de encontrar uma medula compatível é, em média, de uma em 100 mil. Caso você decida doar, procure a Fundação Hemocentro de Brasília (FHB), no SMHN Quadra 3, Conjunto A, Bloco 3, Asa Norte, das 8h às 17h.


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Quantidade de curtidas que a foto de Michel com o agradecimento teve no @cbfotografia, no Instagram

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Número de curtidas que a notícia sobre um doador compatível para Michel teve no perfil do Correio no Facebook, até a noite de ontem



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