Acertos de última hora

Acertos de última hora

postado em 15/05/2015 00:00
 (foto: Gali Tibbon/AFP)
(foto: Gali Tibbon/AFP)


Com a esperada conta justa para a maioria ; 61 votos a 59 ;, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu obteve ontem a aprovação da Knesset (parlamento) para o novo gabinete que formou após a vitória de seu partido, o direitista Likud, nas eleições de março. As duas horas e meia de adiamento pedido pelo próprio chefe de governo e o debate acirrado, porém, deram uma medida dos desafios que a coalizão mais à direita na história de Israel enfrentará.

Netanyahu precisou de dois meses para costurar as alianças necessárias, já que o Likud, embora detenha a maior bancada, elegeu apenas 30 dos 120 deputados. O número necessário para controlar a Knesset foi conseguido com a adesão do partido centrista Kulano e de formações menores, religiosas e ultranacionalistas. O preço da negociação foi sentido até a abertura da sessão convocada para a ratificação do 34; governo israelense: o premiê teve de pedir um adiamento de última hora, que coincidiu com a nomeação dos últimos ministros. ;Alguma coisa não está funcionando bem;, lamentou o presidente do parlamento, Yuli Edelstein. ;Nessas circunstâncias, não há muita coisa a comemorar.;

No breve discurso, o premiê fez questão de frisar que mantém ;a porta aberta; para que mais partidos se unam à coalizão. Sintomaticamente, Netanyahu acumulou provisoriamente a importante pasta das Relações Exteriores, ocupada no mandato anterior pelo ultranacionalista Avigdor Lieberman. Na Defesa, outro posto estratégico, foi mantido o ministro Moshe Yaalon, correligionário do premiê. Outro político do Likud, o experiente Silvam Shalom, que já foi titular das Relações Exteriores, foi nomeado horas antes da votação para o Ministério do Interior.

Deputados eleitos por uma lista conjunta árabe-israelense, que forma a terceira maior bancada, promoveram ruidosos protestos contra a forte influência política das legendas aliadas aos colonos judeus instalados no território palestino da Cisjordânia. A retomada de negociações de paz consta do programa da coalizão governamental e foi mencionada pelo premiê no discurso aos deputados, mas a criação do Estado palestino foi omitida. Convidado por Netanyahu a compor um gabinete de ;união nacional;, após as eleições, o líder trabalhista, Isaac Herzog, reafirmou ontem que fará oposição a um governo que comparou a ;um circo;. ;Este não é um dia feliz;, afirmou.

Netanyahu terá pela frente também uma relação complicada com os Estados Unidos, o principal aliado externo de Israel. Desgostoso com a expansão incessante da colonização na Palestina e com os ataques públicos do premiê ao acordo nuclear que Washington e mais cinco potências negociam com o Irã, o presidente Barack Obama reduziu as relações ao formalismo protocolar. Igualmente insatisfeito com a paralisação do processo de paz, o presidente da França, François Hollande, articula na ONU a apresentação de uma resolução que fixe prazo de dois anos para a criação do Estado palestino ; que já é reconhecido por mais de 130 países, inclusive o Brasil.

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