Da cadeia para a Barra da Tijuca

Da cadeia para a Barra da Tijuca

Após conseguir a progressão de pena, o ex-deputado Roberto Jefferson deixa a prisão e diz que pretende "namorar muito"

postado em 17/05/2015 00:00
 (foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo)
(foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo)


Delator do escândalo do mensalão, o ex-deputado pelo PTB do Rio Roberto Jefferson deixou a prisão no fim da manhã de ontem. Condenado em 2012 a sete anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-parlamentar estava preso em regime fechado desde fevereiro passado numa prisão em Niterói (RJ). Em 2005, o ex-deputado foi um dos principais delatores do escândalo do mensalão, no qual parlamentares, inclusive Jefferson, teriam recebido dinheiro para votar à favor do governo.

Na saída da cadeia, o ex-deputado disse a jornalistas que irá ;namorar muito;, e que pretende oficializar no fim do mês o casamento com a atual companheira, Ana Lúcia, que o acompanha há 11 anos. Jefferson se recusou a falar sobre política, e comentou o período em que esteve preso. ;Não há prisão que seja boa. Fiquei 14 meses preso. Nunca vi ninguém aqui não ser tratado assim (respeitosamente). Estou melhor do que ontem. Tive tempo de ler, conhecer o sofrimento das pessoas que passam por isso;, disse ele. Jefferson também disse que não poderia falar o que sabe sobre o esquema do ;petrolão;, investigado pela Operação Lava-Jato. ;Está por aqui (pressionando a garganta), mas eu não posso falar;, disse. ;Chega, chega de política, quem fala é ela;, disse, apontando para a filha.

Segundo a filha, a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ), Jefferson passará a residir em um apartamento ;de cento e poucos metros; na Barra da Tijuca, bairro nobre do Rio. O imóvel fica a alguns metros da orla. Segundo Cristiane, a decisão de morar na capital e não no interior se deve ao trabalho de Jefferson, no centro da cidade, e à necessidade de acompanhamento médico. Em 2012, o ex-deputado teve um câncer no pâncreas, que o obrigou a retirar dois terços do sistema digestório. Na saída da cadeia, o ex-parlamentar optou por um caminho mais longo: passou por cartões-postais do Rio, como o Cristo Redentor e a orla da Lagoa Rodrigo de Freitas.

A decisão de transferir Jefferson para o regime aberto foi emitida pelo ministro do STF Luís Roberto Barroso, na quinta-feira. No despacho, o magistrado citou o bom comportamento do delator do mensalão no período em que esteve preso, e o fato do ex-parlamentar ter quitado a multa de R$ 840 mil. Dias antes, o MPF já havia apresentado parecer favorável à progressão de pena do ex-deputado. As regras do regime aberto exigem de Jefferson que ele não chegue em casa após as 20h; que mantenha um trabalho regular, que não saia do país sem autorização e que se apresente à Vara de Execuções Penais do Rio todos os meses.

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