Ex-presidente Mursi é condenado à morte

Ex-presidente Mursi é condenado à morte

postado em 17/05/2015 00:00



Deposto pelo Exército em 2013, o ex-presidente islamita Mohamed Mursi foi sentenciado com pena capital por ter cometido atos violentos e fugir da prisão durante a rebelião de 2011 contra o regime de Hosni Mubarak. Horas depois de o tribunal egípcio anunciar a sentença, três juízes morreram e três ficaram feridos em um ataque cometido no norte do Sinai ; não se sabe se há relação com o julgamento. Mursi já havia sido condenado a 20 anos de prisão em abril em um primeiro processo, por incitar a repressão de manifestantes opositores quando esteve no poder, entre 2012 e 2013. Ele pode recorrer da sentença de morte.

O tribunal do Cairo julgou Mursi em dois processos. No primeiro, tanto o ex-presidente quanto outros 128 acusados ; incluindo integrantes da Irmandade Muçulmana, do Hamas palestino e do Hezbollah libanês ; foram acusados por fugas em massa da prisão e atos violentos ocorridos há quatro anos. No segundo, Mursi foi julgado por espionagem entre 2005 e 2013, principalmente em benefício do Hamas, do Hezbollah e do Irã. Nesse processo, o ex-presidente, que compareceu sorridente a partir de uma cabine à prova de som, escapou da pena capital.

O mufti (autoridade religiosa) do Egito se pronunciará sobre a sentença antes que ela seja confirmada ou invalidada em 2 de junho, mas seu ponto de vista não é vinculante. Após o anúncio do tribunal, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, criticou a decisão: ;Infelizmente, o presidente eleito pelo povo do Egito com 52% dos votos foi condenado à morte;, declarou. Para Erdogan, ;lamentavelmente, o Ocidente segue fazendo vista grossa ante o golpe de Estado do (marechal Abdel Fattah) al-Sissi;.

Dados
Mursi foi deposto em julho de 2013 por al-Sissi, ex-chefe do Exército e atual presidente egípcio, após um ano no poder. Desde então, as autoridades lançaram uma dura repressão contra o movimento político do ex-presidente, a Irmandade Muçulmana. Ativistas de direitos humanos denunciam que o governo de al-Sissi foi muito mais repressivo que o de Hosni Mubarak, expulso do poder após uma revolta popular em 2011. Depois da destituição de Mursi, a repressão realizada por soldados deixou mais de 1,4 mil mortos.

Durante os levantes de 2011, os manifestantes protestaram contra os abusos da polícia durante o governo de Hosni Mubarak atacando as delegacias. No entanto, atualmente, as forças de ordem melhoraram sua imagem ante a opinião pública, enquanto a Irmandade Muçulmana é identificada como responsável pela violência, embora negue a acusação. Por sua vez, Mursi enfrenta outros dois processos, um por desacato a um tribunal e outro por dar informação classificada ao Catar.


Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação