Carta da editora

Carta da editora

postado em 17/05/2015 00:00

Agradar. Entreter. Discutir. Provocar. Consolar. Ensinar. Emocionar. Servir. Alegrar. Mimar. Proporcionar. Homenagear. Ousar. Alguma vezes, chocar. Surpreender, sempre. São muitos os infinitivos que poderíamos usar para definir a Revista do Correio, uma publicação que completa 10 anos e permanece com a mesma obstinação: não se contentar em simplesmente informar. É preciso algo mais a cada domingo.

É preciso mostrar que há tratamento para problemas diversos; que há cura para as dores da alma; que há superação sempre. É preciso sepultar os preconceitos, promover encontros, falar de sexo. É extremamente necessário secar cicatrizes e abrir feridas profundas. Assim como é fundamental expor o problema da violência doméstica em pleno domingo, dissecar doenças negligenciadas em muitas páginas e dar espaço para o contraditório do comportamento humano aparecer.

Mas também é essencial ensinar a relaxar, convidar a caminhar, dar uma receita fantástica, duvidar das certezas absolutas, chorar com a história de outro alguém. É necessário comover-se com o olhar de uma pessoa para o seu animal de estimação, ver uma foto e ter vontade de ir correndo para lá, mudar os quadros de lugar, experimentar uma nova combinação de roupa. E, na grande maioria das vezes, é preciso simplesmente conhecer uma nova cor de esmalte, porque tem dias em que esse é realmente o único problema que merece ser resolvido.

Quem duvida do valor do trivial sabe bem pouco aproveitar a vida, pode apostar. Confunde simplicidade com banalidade; leveza com superficialidade; beleza, moda e bem-estar com futilidade. A autoestima é uma conquista. Para alguns, ela vem de uma tarde no salão, de um olho bem delineado, de um salto alto ou de uma boca vermelha; para outros, só com uns bons anos de terapia. Para a maioria, com as duas coisas juntas.

Essa revista é uma publicação um bocado simples, embora cheia de pretensão. Buscamos dar valor ao que aparentemente não tem, tornar leve o que parece ser absurdamente pesado. Nesse longo caminho, cometemos erros. Tivemos leitores atentos para apontá-los, ainda bem. A eles e a todos os outros, que nos cobriram de carinho e de reconhecimento, a nossa eterna gratidão. Obrigada também à nossa festiva e competente redação; aos parceiros, colaboradores e anunciantes; os de hoje e os de ontem.

Mais 500 e tantos domingos de boa leitura!


Cristine Gentil

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