Confraria

Confraria

postado em 17/05/2015 00:00
 (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press
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(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press )

A Confraria já é parte da moda brasiliense, mas começou sua história há 19 anos em Belo Horizonte, terra da proprietária da marca, a designer Ana Paula Ávila. Quando Ana Paula se casou, em 2001, veio para a capital construir a vida ao lado do marido e trouxe na mala a Confraria, que transformou em símbolo de produto de luxo no Brasil e no mundo. As bolsas da marca podem chegar aos R$ 5 mil, e começam na faixa dos R$ 800. Os produtos sensação da marca, confeccionados na fábrica do Núcleo Bandeirante, e que andam nos braços de moças requintadas do mundo inteiro, são as bolsas feitas de junco, um material mais nobre que o vime.

;A Confraria sempre procurou usar uma matéria-prima superior, o que acaba elevando o custo;, comenta a empresária. O junco, por exemplo, só pode ser extraído pelos índios, o que o torna um material mais raro e mais caro. Além disso, é característico do Brasil, o que o faz crescer aos olhos dos consumidores gringos. A carteira de junco com fecho de cristal, por exemplo, é o best-seller da marca, com bastante saída nos resorts de praia no Nordeste.

É Ana Paula quem cria os modelos da Confraria. ;Desenho em qualquer lugar, toda hora. Dormindo, eu sonho com bolsa, tem papel e lápis até no meu banheiro;, brinca. Hoje são mais de 2 mil peças em catálogo, todas com a assinatura dela. Tudo é meticulosamente estudado e desenhado antes de virar realidade. ;Eu e meu modelista, que está comigo desde o começo, às vezes até nos desentendemos. Eu teimo com ele que quero, ele teima comigo que não dá, até que sai;, ri Ana Paula. Algumas peças chegam a levar 9 meses para sair da ideia e chegar até a mesa da designer, pronta. As bolsas de junco nasceram assim, de uma teimosia de Ana Paula em transformar o material em bolsa, e são patenteadas pela Confraria. Ela mesma ensinou o trançado a alguns artesãos. Cada um tece uma bolsa por dia. Alguns modelos ; os que vendem mais de 500 unidades ; fazem parte da linha Classic, que fica permanentemente em catálogo, mesmo com as mudanças de coleção.

Além dos produtos de junco, a Confraria tem modelos básicos de couro liso; mais sofisticados, como as bolsas feitas de python (as cobras usadas por Ana Paula são criadas em liberdade e apenas liberadas para abate quando começam a influenciar na cadeia alimentar); e mesmo os de tom mais fashion, com cores e desenhos marcantes, que enlouquecem o público jovem e blogueiras de moda. Como representante do mercado de luxo, Ana Paula também passou por dificuldades para se manter no topo. Com os impostos que cabem ao setor, com a dificuldade em achar e manter mão de obra e com a burocracia para exportar.

;O Brasil não tem competitividade alguma. Nós, designers, não temos condição de conciliar a política comercial do Brasil com os nossos desejos. Tudo aqui é difícil;, lamenta a empresária. ;O Brasil não tem mais mão de obra interessada em trabalho artesão. Na Itália, as pessoas têm o maior orgulho disso, herdam a função do pai, do avó. Aqui, isso não existe mais. As tradicionais fábricas de couro do sul estão fechando;, continua. A Confraria, no entanto, se impôs no mercado. ;Foi o que me fez não desistir. Tem muitas clientes que só viajam de Confraria. As minhas consumidoras têm uma veia de arte. Querem ter o que ninguém mais tem;, atesta Ana Paula.

Onde encontrar: Belluno (QI 11 do Lago Sul; 109 Norte; 112 Sul; 301 Sudoeste)


Escudero & CO

A história da marca carioca começa, na verdade, em São Paulo, onde um dos sócios, Renato Pereira, morava, e com a troca do que muitos chamariam de certo pelo duvidoso. Renato é formado em administração e, na época, trabalhava no mercado financeiro. Largou tudo para estudar design. O primeiro produto que Renato desenhou foi uma mala de couro que demorou oito meses para ficar pronta. Quando levou o modelo a uma artesão para reproduzi-lo, descobriu que a fabricação mínima era de 40 peças. Vendeu tudo para os amigos, mais rápido do que imaginava. Fez outra troca, dessa vez de São Paulo para o Rio, onde conheceu a também designer Clara Tarran, hoje esposa e sócia na Escudero.

A marca não é exatamente nova ; nasceu oficialmente em 2011 ;, mas o formato atual é fresco: depois de navegar por alguns anos entre os acessórios e o vestuário e chegar a ter pontos de venda pelo Brasil inteiro e até no Japão, Renato e Clara decidiram parar e repensar o propósito da Escudero. ;Ficamos um ano e meio no vestuário, mas ano passado resolvemos reestruturar porque estava ficando muito grande. Decidimos focar no acessório, que sempre foi nossa paixão;, comenta Clara.

As bolsas da Escudero são clássicas, atemporais e ideais para quem gosta do estilo minimalista. O catálogo conta com poucos modelos, pensados para caber na rotina da mulher da vida real, com apenas duas opções de cores: preto e caramelo. Tudo em sintonia com o estilo dos próprios designers, segundo Clara. ;Somos muito básicos e acreditamos no poder do acessório. Gostamos de ser atemporais e o acessório tem isso, ele não é fashionista;, defende a empresária. Por isso, a marca não conta com coleções de temporada. As bolsas de hoje são as mesmas do próximo verão. Os modelos vão sendo acrescentados aos poucos, respeitando o tempo de criação dos designers e a necessidade das clientes da marca: zíper, alça de tamanhos diferentes, tamanhos etc.



;Prezamos hoje uma moda mais consciente, mais slow fashion. Não acreditamos nessa velocidade que a moda tem atualmente. Tanto que trabalhamos com preto e caramelo, que são neutros. Nosso produto é atemporal e duradouro;, acrescenta Clara. Hoje, o catálogo da marca conta com nove modelos de bolsas, quatro de pastas, além de carteiras e cases para tablets. As malas de couro, dos primórdios da Escudero, seguem em catálogo, à venda por R$ 1.290. Para as bolsas, os preços ficam entre R$ 400 e R$ 600. Uma das bolsas mais vendidas da Escudero, a Birgit, uma tote clássica, fica em R$ 398.

Além disso, a marca conta ainda com uma linha utilitária de bolsas de juta, com fabricação 100% sustentável. Clara e Renato passaram um ano pesquisando uma forma de fazer uma bolsa que fosse, além de sustentável, ecológica. ;Nem sempre o sustentável é ecológico, mas essas bolsas contemplam ambos. A juta é desvalorizada no Brasil, mas lá fora é considerada a fibra do futuro. Ela sustenta 15 mil famílias ribeirinhas na Amazônia e é feita no Pará com óleos vegetais. As alças são de couro de curtimento vegetal. Temos muito orgulho dela;, conta. As bolsas são de uso geral, para o mercado, o dia a dia ou para a academia, e algumas têm frases divertidas, como ;My other bag is a Chanel; (minha outra bolsa &

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