Charlize Theron, a superpoderosa

Charlize Theron, a superpoderosa

Em entrevista exclusiva ao Correio, Charlize Theron fala da surpresa em ser convidada para protagonizar Mad Max: Estrada da fúria, "onde a testosterona reina"

» Rodrigo Fonseca Especial para o Correio
postado em 18/05/2015 00:00



Cannes (França) ; Entre todas as estrelas internacionais que desfilaram na abertura do 68; Festival de Cannes, na última quarta-feira, poucas movimentam mais investimentos de Hollywood do que a sul-africana Charlize Theron, estrela-guia de Mad Max: Estrada da fúria. Ter um Oscar de melhor atriz no currículo, conquistado em 2004 por Monster: Desejo assassino, é apenas um detalhe luxuoso se comparado à habilidade de a loura arrastar multidões às salas de exibição, mesmo quando esconde as curvas em papéis abrutalhados.

Imperatriz Furiosa ; sua personagem no novo capítulo da franquia originalmente estrelada por Mel Gibson (trocado por Tom Hardy) ; é uma prova do charme de machona que ela gosta de dar a figuras assombradas pela rudeza. ;Foi muito difícil acreditar que eu estaria em Mad Max não por se tratar de uma trama ambientada em uma realidade futurista onde a testosterona reina, mas pelo fato de que eu cresci, na África do Sul, assistindo àquela franquia na tevê. Quando pisei no set, voltei ao passado, à adolescência;, diz Charlize, ao Correio.

Na fase de escalação de atores para Mad Max, George Miller convidou Charlize pela experiência dela como bailarina, antes de seus tempos de modelo e da fase de atriz. Ela chegou às passarelas aos 14 anos e desfilou até os 20. Até hoje, empresta seu rosto a marcas famosas, como a grife Dior. Credenciais que seduziram Miller.

;O novo Mad Max é um filme de muita exigência física, no qual eu uso mais os músculos dos atores do que a habilidade que eles têm para decorar diálogos. Precisava de uma atriz com a disciplina do balé, coisa que Charlize tem de sobra;, disse o cineasta, em Cannes. Para Charlize, viver uma espécie de valquíria maneta (com punho metálico) era uma oportunidade de desafiar convenções.

;Eu não acredito muito na ideia de heroísmo. Acredito que existem pessoas com poder de liderança e com disposição para se doar em prol dos outros, não importa o perigo que possa correr. O mundo de Mad Max torce toda a ideia clássica de herói, em prol de um conceito de sobrevivência. É sobre isso que o filme de Miller fala: estratégias para sobreviver, seja na solidão, seja com a mão estendida para alguém. Furiosa, a minha personagem, vem desafiar a solidão de Max;, destaca Charlize.


Haja ferramentas
;É um erro passar por um filme sem tentar entender a gramática de um cineasta, pois, ao captar como um diretor pensa, você adquire novas ferramentas estéticas para entender o mundo e para redesenhar sua própria profissão. A cada filme, eu penso a condição das mulheres e como elas são observadas pelo cinema. A coragem maior de Miller, agora, foi desafiar um mito, o mito de um vigilante solitário, e dar a ele uma figura feminina com peso similar;, comentou a atriz.

Ainda este ano, Charlize volta à cena em The last face, drama social dirigido pelo ator Sean Penn, no qual contracena com Javier Bardem e Jean Reno. Os convites não param de chegar para a atriz, eleita duas vezes uma das 100 mulheres mais sexies do mundo, condição da qual ela mesmo faz troça: ;Na indústria do entretenimento, acreditar em certos rótulos é como confiar que um unicórnio vai aparecer na sua frente;.

PERFIL
Garota exemplar

; Ricardo Daehn

No mundo atual, com tanta valorização do exterior, é impressionante a capacidade de Charlize Theron de sair da zona de conforto. Ela pode ser a bruxa da Branca de Neve, em filme ; mas, ainda assim, o espelho acusa modelo exemplar: é que, nos bastidores da sequência em andamento, Charlize reclamou ; e logrou ; a equiparação salarial com astros da franquia. ;Do processo, ficou a mensagem que talvez baste você bater o pé;, resumiu à imprensa estrangeira.

Pelo efeito alcançado nas telas com a Imperatriz Furiosa, de Mad Max, veio outra quebra de paradigma para um filme de ação, e Charlize incendiou a corrente feminista. ;Ser feminista é algo bom. Não significa que você precise odiar os homens;, pontuou. Quarentona , em agosto próximo, ela também desencoraja a ;fantasia de que, aos 40, você morre;.

Mad Max, até na visão do virtual protagonista Tom Hardy, traz ;um completo empoderamento da mulher;. Em Cannes, Charlize amplia a visibilidade das mulheres, representadas como cineastas em apenas dois concorrentes a prêmio. Na imprensa britânica, a intérprete de Furiosa renegou o rótulo de ;supermulher; do papel. No esforço para fazer a Imperatriz Furiosa pesou, literalmente, a prótese de antebraço usada em cena, com mais de 4kg. Fato que lhe obrigou a malhar. No dia a dia, Charlize quer equiparar-se, na tranquilidade, ao filho Jackson, adotado há três anos, ao lado do noivo, Sean Penn.

Antes mesmo de ser Mensageira da Paz, pelas Nações Unidas, em 2007, a atriz criou a entidade Africa Outreach Project, que zela por jovens, na terra natal, África do Sul. O país com maior número de pessoas afetadas pela Aids tem fundos levantados pela atriz para controle do HIV. O auxílio beneficiou 200 mil jovens.


; Escalada cintilante
Foi com O advogado do Diabo (1997) que a ex-modelo Charlize ganhou os olhares de Hollywood e passou a ambicionar destaque. Favoreceram diretores autorais como Woody Allen, com quem fez Celebridades (1998) e O escorpião de Jade (2001). Robert Redford rendeu parceria, em Lendas da vida, enquanto, com Lasse Hallstr;m, fez Regras da vida. Outras colaborações viedram com Guillermo Arriaga (Vidas que se cruzam) e Ridley Scott (Prometheus). Para o futuro, a carreira lhe reservou, entre outros, o thriller Lugares escuros, de Gilles Paquet-Brenner.

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