Olhar atento para a contratação de eventos

Olhar atento para a contratação de eventos

Especialistas orientam que, antes de negociar com uma empresa, o cliente deve se cercar de todas as cautelas para evitar surpresas desagradáveis no dia do casamento ou de uma festa. Buscar informações sobre o fornecedor e o tempo de mercado dele é uma das principais preocupações

» FLÁVIA MAIA
postado em 18/05/2015 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)



O golpe aplicado pelo decorador Chrisanto Lopes Netto Galvão a casais de noivos e comissões de formatura chama a atenção pela forma de contratação do serviço. Embora o caso em questão seja de estelionato e o empresário não tenha apresentado sinais de que descumpriria os compromissos, especialistas ouvidos pelo Correio dão orientações para um negócio seguro e para se resguardar em caso de problemas futuros. Como a organização de um evento envolve uma série de preparativos, o consumidor pode deixar alguns cuidados de lado.

Do espaço a ser locado, passando pelos serviços de filmagem e fotografia, até a escolha dos docinhos, organizar uma festa não é tarefa fácil. A grande quantidade de fornecedores, as diversas formas de pagamento, os modelos de contratos para serviços especializados e a antecedência dos compromissos firmados mostram a complexidade de um evento. Segundo especialistas, um bom começo é fazer um levantamento prévio sobre o fornecedor, o tempo de mercado e a atuação. ;O mercado em Brasília cresceu e tem muitos aventureiros. Por isso, a gente aconselha a entrar em contato com o sindicato. Temos 150 empresas cadastradas e podemos passar informações sobre o trabalho delas e a opinião de clientes. O problema é que empresas menores não são sindicalizadas e, portanto, não temos muito como ajudar;, afirma o presidente do Sindicato das Empresas de Eventos do Distrito Federal (Sindieventos-DF), Chico Maia.

Pesquisar em redes sociais e em grupos específicos, e até pedir para ver uma festa realizada por determinada empresa, pode ser um caminho. ;Como não tem uma regulamentação específica, é grande o informalismo nesse setor. Por isso, é bom consultar na internet, nas redes sociais e em revistas especializadas se o profissional é sério ou não. É claro que não dá para prever, como ocorreu com o decorador Netto Galvão (leia Entenda o caso), mas pode ajudar;, afirma o assessor jurídico do Procon do Distrito Federal, Felipe Mendes. O Procon de São Paulo tem um serviço no site que mostra queixas contra empresas e como os conflitos foram resolvidos. Na página do Procon-DF, existe apenas as 10 empresas com mais reclamações, de todos os segmentos, e não tem uma lista específica sobre eventos.

De acordo com especialistas, escolhida a empresa, o consumidor deve prestar muita atenção no contrato a ser assinado. ;Na hora da empolgação, o fornecedor fala muita coisa, faz promessas e cria expectativas. Por isso, o cliente tem de fazer um documento especificando tudo, para poder cobrar depois;, orienta a assessora técnica do Procon de São Paulo, Leila Cordeiro.

As multas contratuais também devem ser observadas. ;Na empolgação da contratação, o consumidor não analisa esse tipo de cláusula. O Código de Defesa do Consumidor (CDC) não limita uma porcentagem, fala em razoabilidade de multa de rescisão de contrato. Os tribunais entendem de 10% a 20%;, avisa Felipe Mendes, do Procon-DF. ;Se o fornecedor não cumprir a parte dele e não tiver no contrato uma cláusula punindo-o por isso, o CDC a transforma em favor do consumidor;, complementa. Outra sugestão é evitar o pagamento à vista. ;Sempre é bom vincular uma parte do pagamento à execução do serviço. Como o trabalho é contratado com muita antecedência, o consumidor não consegue precisar se, daqui a 1 ou 2 anos, a empresa vai estar funcionando tão bem;, conclui.

Uma das orientações de especialistas em eventos e em defesa do consumidor é a de que o cliente fique atento à prática da venda casada. ;Dependendo do ramo de atividade, a contratação nunca é de só um serviço. Ela vem de uma forma conjunta, e os fornecedores empurram goela abaixo;, alerta Felipe, do Procon-DF. Na opinião de Leila Cordeiro, do Procon de São Paulo, a empresa pode indicar o serviço de outra e até fechar um pacote, mas não pode condicionar que todo o evento esteja dentro de um mesmo contrato, se não for do gosto do consumidor. ;E, se a indicação daquele prestador for de outra empresa , existe uma participação entre eles e, portanto, há responsabilidade solidária em caso de problema;, defende.

Frustração

O 7 de setembro de 2014 ficou na memória de Luíla Freitas de Brito, 23 anos. Não somente por ter sido o dia do casamento dela, mas, principalmente, pelos erros cometidos pela equipe de decoração. Segundo ela, a cerimônia estava marcada para as 9h do domingo. Quando ela chegou ao local do casório, às 8h30, foi informada de que o início atrasaria um pouco. Duas horas e meia depois, a noiva desceu do carro e entrou no salão. Quando deu o primeiro passo, não acreditou no que viu: nada do contratado estava montado para a cerimônia e a festa.

A decoradora Célia Cristina Alves Eirli chegou na hora da cerimônia sem o material contratado, levou flores murchas do casamento do dia anterior e elementos que não eram os combinados. Além disso, o lounge de entrada tinha apenas um sofá colorido e o gazebo não tinha o voil. Os convidados ajudaram a montar mesas e cadeiras, e o salão improvisou mesas e arranjos. ;Ninguém queria me contar o que estava acontecendo. Só entendi que o problema era com a decoração quando a moça dos docinhos me passou uma mensagem dizendo que ia montar a mesa de doces porque não tinha mesa;, lembra. Nem mesmo os cuidados tomados por Luíla foram suficientes para impedir a má prestação de serviços.

A gestora de recursos humanos conta que contratou os serviços da Casa Nova Decorações seis meses antes da cerimônia, buscou referências, pesquisou sobre o trabalho da proprietária e assinou um contrato minucioso. ;Gastei R$ 6,5 mil, e ela não dava pistas de que me causaria problemas. Inclusive, um dia antes do casamento, ela foi comigo ao salão para montar um novo croqui de onde ficariam todas as coisas;, lamenta. Resultado: Luíla não quer ver as fotos e a filmagem do casamento. ;E não curti direito a minha lua de mel, de tanta frustração.; Ao Correio, Célia Cristina admitiu o atraso, mas disse que entregou a decoração conforme o contratado.

Título

Reclamações contra eventos no DF:

2013 - 369
2014 - 287
2015* - 39
*Até 10/5

Fonte: Procon


Entenda o caso

Golpe e fuga para Paris
Pelo menos 70 casais de noivos e duas comissões de formatura procuraram a Polícia Civil do Distrito Federal no início do mês para denunciar um suposto golpe aplicado por uma empresa de decoração e fotografia de eventos. Os inve

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação