Todos contra o mal

Todos contra o mal

Rodrigo Craveiro rodrigocraveiro.df@dabr.com.br
postado em 27/05/2015 00:00
O avanço do Estado Islâmico pelo Oriente Médio exige ação não apenas da coalizão liderada por Barack Obama, mas de todos os países, incluindo o Brasil. A inação quase sempre dá lugar ao desastre. Se os jihadistas se espalharam como tentáculos pelo Iraque e pela Síria, provavelmente isso ocorreu por erro de avaliação do risco representado pelo grupo extremista. As potências ocidentais demoraram a perceber que a facção ocupou o lugar da rede Al-Qaeda no cenário wahabista e terrorista internacional. Mais articulados, numerosos e organizados, os jihadistas do Estado Islâmico se escoram numa campanha de marketing agressiva e em uma estratégia belicista capaz de disseminar pavor e de fazer tropas baterem em retirada.

Decapitações, destruição de relíquias históricas, detonações simultâneas de carros-bomba recheados com toneladas de explosivos, escravização sexual de reféns, execuções de crianças e mulheres, extorsão. O repertório maligno do Estado Islâmico é vasto e diversificado. As barbáries praticadas contra civis e contra acusados de apoiar o governo inimigo oferecem um vislumbre de como esses psicopatas e sociopatas podem ameaçar a democracia e o laicismo do Ocidente. Os terroristas prometeram levar sua guerra para Roma, e um complô contra a Cidade do Vaticano já teria sido descoberto recentemente. Além de se preocupar com ataques diretos, as autoridades precisam mensurar o perigo de ações inspiradas nos jihadistas. Muitos muçulmanos radicalizados são lobos solitários à espreita aguardando o momento para dar o bote.

Apenas uma ação militar, política e econômica integrada e ousada seria capaz de extirpar assassinos que dizem agir em nome de Maomé. Não deve haver espaço para diplomacia ou compaixão com "homens" que, sem o menor pudor, desenvolveram um arcabouço diverso de formas de matar. O mundo confronta um bando de criminosos sádicos, não uma guerrilha travando uma batalha que julga ser justa e legítima. Além da força das armas, será preciso uma contundente campanha ideológica para demover os jovens muçulmanos de se alistarem às fileiras do Estado Islâmico. Informar aos recém-convertidos que o caminho para Alá é o mesmo rumo da paz apregoado pela maioria das religiões. No âmbito econômico, secar a fonte de recursos do Estado Islâmico e retomar os poços de petróleo capturados pelos militantes podem ser ações de grande valia. Cabe às autoridades de países do Golfo Pérsico identificar e punir os responsáveis por vultuosas doações aos seguidores de Abu Bakr Al-Baghdadi.

Mais cedo ou mais tarde, o Estado Islâmico vai inaugurar novas formas de terrorismo contra o Ocidente. Ataques químicos, biológicos e radioativos precisam ser considerados ameaças críveis. As informações de que os jihadistas estariam interessados na aquisição de uma arma nuclear e na realização de atentados com cloro, no Reino Unido, têm que ser encaradas com a máxima seriedade. A segurança do planeta depende da eliminação completa dessa facção. Ou o mundo age logo, ou verá o califado islâmico se impor sobre democracias consolidadas e seculares. Você um dia imagina ajoelhar-se e orar a Alá com uma arma apontada para a cabeça ou uma faca pressionando-lhe o pescoço?

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