Para ver onde e quando quiser

Para ver onde e quando quiser

O streaming, forma de distribuição de dados que espalha cada vez mais conteúdo na internet, se torna filão bastante disputado

Mariana Peixoto
postado em 27/05/2015 00:00

Belo Horizonte ; Líder do mercado de streaming de música, o Spotify divulgou esta semana que vai lançar a própria plataforma de vídeo. Além de música, o serviço vai oferecer notícias e podcasts, com conteúdo de canais como BBC, ESPN, MTV e Comedy Central. Também nos últimos dias, o YouTube fez um anúncio: vai entrar para o cinema, produzindo filmes em parceria como o AwesomenessTV, da DreamWorks, outra gigante do mundo do entretenimento.


Todo mundo quer seu próprio quinhão no universo do streaming, uma forma de distribuição de dados usada para divulgar conteúdo multimídia por meio da internet. Com o crescimento da banda larga (que permite uma rápida transmissão de dados) no Brasil, serviços de conteúdo (música e vídeo) sob demanda popularizaram-se nos últimos anos. Exemplo disso é a Netflix, que nasceu nos Estados Unidos no fim dos anos 1990 como uma locadora e hoje tem 57,4 milhões de assinantes em todo o mundo. E atrás dela, outras empresas entraram no meio audiovisual. O melhor exemplo é o da Amazon, que, depois de dominar o e-commerce, passou a investir na nova área. Desde 2014, produz séries que são exibidas on-line (um serviço ainda não disponível no Brasil).


Para os brasileiros, um exemplo bem próximo é o Net Now. A plataforma de vídeo sob demanda criada em 2011 pela Net ; líder em tevê por assinatura e banda larga no país com 7 milhões de assinantes ; existia apenas para assinantes do pacote HD. O usuário podia alugar o filme ou programa que quisesse diretamente na televisão. Desde setembro, o serviço também está disponível aos assinantes pela internet. Ou seja, é possível assistir ao mesmo conteúdo no smartphone, no computador ou no tablet.


A mesma coisa ocorre com os assinantes da HBO, que atualmente têm acesso a filmes e séries por meio da plataforma on-line HBO Go, e com os dos canais da Globosat. Ninguém quer ficar longe do filão. A ideia é sempre exibir o máximo de conteúdo em qualquer tipo de aparelho.


As mudanças na tecnologia acabam afetando a todos ; exibidores, produtores de conteúdo e espectadores. ;A gente tem procurado aproximar o máximo possível o lançamento dos filmes no Net Now;, afirma a gerente do serviço, Priscila Steinberger. Exibido nos cinemas brasileiros até meados de abril, Sniper americano, de Clint Eastwood ; filme de guerra de maior bilheteria de todos os tempos, batendo inclusive O resgate do soldado Ryan, de Steven Spilberg, que liderava a lista desse gênero desde 1999 ;, é uma das atrações do serviço de vídeo sob demanda Net Now. Por R$ 15, o assinante pode assisti-lo onde e quando quiser. O preço do aluguel é mais caro do que o dos lançamentos convencionais (R$ 9,90) por estar no que o Now chama de pré-lançamento. ;São filmes que chegam aos assinantes com menos de 90 dias depois de terem sido lançados no cinema;, diz Priscila.


A diversidade de conteúdo oferecida também é grande. Entre filmes, programas de entretenimento, esporte e jornalísticos, séries e animações, o Now oferece 30 mil produtos. ;Um ano atrás, tínhamos um pouco mais da metade do que temos hoje de conteúdo. O aumento se deu porque a utilização do Now cresceu em 70%, e ele acabou virando a estrela da Net;, acrescenta ela.

Oportunidades

Para os produtores de conteúdo audiovisual, a internet é também um caminho a desbravar. Juliana Lira, fundadora da produtora Lira Filmes, tem três projetos de série para internet em produção: as sitcoms Os sebosos (ambientada num sebo) e Rompimento (sobre uma agência especializada em fins de relacionamento), além da infantojuvenil O mundo de Camila, criada diretamente para um público que nasceu na era da internet.


De acordo com ela, um projeto que nasce para a internet tem uma linguagem diferente do que foi criado para a televisão. ;Muda tudo, até o enquadramento. No Brasil, são poucas as séries pensadas para quem vai assistir pelo laptop ou iPad. Ainda se produz muito pensando na tevê;, comenta.


Juliana observa que, no Brasil, diferentemente do cinema e da televisão, na internet, a publicidade chegou antes que os produtores de conteúdo. A produtora adaptou recentemente para a tevê um comercial de um desodorante íntimo que havia sido realizado primeiramente para a web. ;Na internet, a linguagem é mais livre, você comunica diretamente e tem um tempo maior do que os 15 segundos de uma propaganda de tevê.;


Esse mercado parece tão interessante que, recentemente, a Mozilla (browser de internet) anunciou a primeira SmartTV com Firefox Oss do mercado, lançada em parceria com a Panasonic. O usuário pode acessar de maneira rápida sites e ainda criar e personalizar aplicativos do WebAPI. A novidade já está no mercado europeu e deve chegar ao restante do mundo nos próximos meses.

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