Dose de imprudência

Dose de imprudência

Rodrigo Craveiro rodrigocraveiro.df@dabr.com.br
postado em 10/06/2015 00:00
De toda a vida, de todos os sonhos / De toda a magia, de todos os amores / De todos os versos que viraram dissabores / De todos os beijos amargos e todos os desejos abandonados em lacunas do pecado / De toda a fé transformada em fel / De toda a saliva que se fez deserto / O vento brotou poeira / E varreu uma vida inteira.

Peço licença ao leitor para começar estas linhas por versos de minha autoria. Uma reflexão sobre o caráter etéreo e passageiro da nossa existência. A vida independe de nós. Assim como o nosso destino. Que o digam os quatro ocupantes do carro atingido no domingo por outro veículo conduzido por motorista alcoolizado, na BR-040, próximo a Luziânia. Os dois carros explodiram, selando tragicamente os planos de seis pessoas.

Sonhos, amores, sorrisos e dissabores interrompidos por uma dose imensa de imprudência. Não bastasse tanta publicidade com a advertência ;bebida e direção não combinam;, no Brasil ainda se mata e se morre absurdamente por culpa do álcool e de quem bebe. Pesquisa realizada no ano passado mostra que 25% dos brasileiros teimam em contrariar o alerta e assumem o risco de dirigir mesmo não estando sóbrios. Também em 2014, cerca de 200 pessoas morreram apenas nas rodovias federais que cortam o Distrito Federal. Em todo o Brasil, no mesmo período, 170 mil pessoas foram hospitalizadas por motivo de acidentes automobilísticos.

Parte do problema se encontra na sensação de impunidade e na percepção de que nada de pior vai acontecer. Mas quem bebe perde um tanto a noção da realidade ; os reflexos são comprometidos, bem como o senso de autossegurança. Se houvesse políticas públicas de prevenção de acidentes e de tratamento do alcoolismo, além de lei aplicável no máximo rigor, talvez um alcoólatra pensasse duas vezes antes de beber e dirigir. Antes de levar uma vida inteira graças à imprudência e ao desrespeito para com o próximo.



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